29/10/10

Coelho estufado com Guiness

É a segunda vez que faço este estufado (da primeira vez usei chambão, cortado em cubos pequenos, e ficou, modéstia à parte, realmente fabuloso!). Agora resolvi experimentar com coelho e não me arrependi.
Antes de mais, um AVISO: não tentem usar outra cerveja que não seja GUINESS! Só ela confere o sabor tão especial a este preparo, e passo a publicidade. Agora usei esta de lata, mas da vez anterior só consegui encontrar uma garrafa de 33 cl.
Para quatro pessoas o coelho deve ter entre 1,3 e 1,5 kg. Cortado em pedaços e bem limpo. 
Trata-se de uma receita que vai um pouco contra os meus princípios, pois leva mais do que a meia-hora ideal para a maior parte das refeições que gosto de preparar. Se for chambão, terá que estar no lume pelo menos 2 horas e meia. Contudo, a este Bugs Bunny dei «apenas» 1 hora e 50 minutos.
Agora passo a contar como foi: num tacho antiaderente deitei duas colheres de sopa de azeite e uma igual de manteiga. Deixei aquecer bem e, entretanto, enfarinhei os pedaços do lapin, para depois os deitar pouco a pouco no tacho. Tapei e deixei que alourassem bem, o que ainda leva o seu tempo. De vez em quando, virei os pedaços para que ganhassem todos cor por igual. Quando já davam mostras de queimaduras de 2.º grau, juntei-lhes 2 cenouras cortadas em pedaços finos, 2 talos de aipo, também cortados em pedaços finos, uma cebola bem picadinha, 1 folha de louro e 6 cogumelos Brauner cortados às tiras. Tapei e deixei que se regalassem todos numa sauna até suarem as estopinhas. A seguir, acrescentei 4 colheres de polpa de tomate, uma folha de louro, uma pitada de noz-moscada e uma pitada de cominhos. Chegou então a vez da Guiness entrar em acção para ajudar a hidratar o coelhito que já estava mais do que suado. No entanto, como há que beber com moderação, despejei apenas metade da lata (e aproveitei para beber um gole). Dado que o coelho já podia nadar, espevitei um pouco o lume e temperei com sal e mostarda de Dijon (sempre ouvi dizer que os coelhos gostam mais de mostarda do que de pimenta).


Aproveitei então para tratar do acompanhamento, aliás bastante simples: batatas cozidas. Descasquei e cortei 6 batatas em rodelas da grossura de um dedo e cozia-as com um pouco de sal. O tempo foi passando e à medida que a Guiness ia evaporando/espessando fui deitando mais um pouco para evitar que o coelho morresse à sede.
Quando as batatas atingiram o ponto de cozedura, um pouco antes de virarem puré, tirei-as do lume, coloquei-as numa taça, reguei-as com um bom fio de azeite, um dente de alho picado, pimenta-preta e salsa também picada. Depois, com um garfo, revirei tudo e piquei grosseiramente as batatas.
Já eram 9 horas da noite. O pessoal cá da pensão gritava que estava a morrer de fome. Por isso, já não tive tempo para tirar fotos da boda do coelho com as batatas devidamente empratados. Mas posso assegurar que foi uma cerimónia bonita de se ver!

27/10/10

Gastronomia tailandesa

Há já quase 30 anos que, numa viagem a Paris, me rendi à gastronomia japonesa, hoje tão divulgada, mas também tão aldrabada por este país à beira-mar plantado! (Pelo que tenho podido observar, a aldrabice não é só nossa, pois em Espanha, Inglaterra, França, Holanda e Itália, muitos antigos restaurantes de comida chinesa converteram-se e passaram a servir comida pseudo-nipónica :((((((((). Já para não falar dos «sushi-men» brasileiros que tentam impingir aquilo a que pomposamente chamam de comida de fusão... :(((
No entanto, como os sabores do Extremo Oriente não se ficam pelo Japão, quero partilhar aqui uma cozinha riquíssima e que ainda não tem representação digna de nota no nosso país. Não digo para irem à Tailândia, que ficou ainda mais longe nestes tempos de crise e aperto do cinto que agora se fazem sentir. Contudo, aqui mais perto de nós, em Amsterdão, não faltam restaurantes tailandeses. Eu experimentei este, e gostei tanto, que voltei no dia seguinte. Fica mesmo em frente ao Waag.


Para quem estiver interessado em aventurar-se no fogão, aconselho que comece pelo arroz. Esta receita é bastante simples e de resultado garantido. Para que este arroz possa servir de prato principal e não de simples acompanhamento, aconselho a que se juntem mais alguns ingredientes: frango, lulas ou camarões, pimentos (1 vermelho e 1 verde) cortados em tirinhas finas, cogumelos pretos, uma ou duas malaguetas bem picadas, algumas folhas de hortelã e rebentos de soja.



Depois, de entre as 1001 opções que se podem encontrar pela Net, há muito a explorar, por exemplo, por aqui: http://www.ifood.tv/r/thai/recipes
Divirtam-se e bom apetite

25/10/10

Caril de camarão com arroz selvagem

O caril é um bocado como o bacalhau: devem existir 1001 maneiras de o preparar. Eu costumo fazê-lo da seguinte maneira: pico uma cebola e dois dentes de alho. Aqueço um pouco de azeite num tacho de barro e depois deixo a cebola e o alho ganharem cor (até a cebola ficar quase transparente). A seguir junto 3 colheres de sopa de polpa de tomate.




 A cebola e o alho com o azeite.      Chegou a vez de juntar a polpa de tomate.

Neste caso, como optei por arroz selvagem para acompanhar o caril, e este arroz demora mais tempo a cozer (cerca de 25 minutos), comecei por tratar dele antes de tudo o resto. Como as raparigas cá da casa não gostam de caril, as quantidades indicadas são para duas pessoas (assim, fiz um copo de 20 cl cheio de arroz).
Ora, então, voltemos ao caril. A seguir ao tomate, foi a vez de juntar um pau de canela, uma colher de café de cominhos e outra de gengibre. Minutos mais tarde deitei metade do leite de coco (uma embalagem de 200 cl) e esperei que levantasse fervura. A seguir os camarões (400 g) juntaram-se à festa. Polvilhei-os com coentros picados, um pouco de gindungo, uma colher de sopa de caril picante e outra de caril normal, mas com um aroma mais intenso. Por fim, acrescentei uma pitada de sal e o resto do leite de coco. Puxei então pelo lume para acelerar o preparo e reduzir um pouco o molho.

Quando o arroz selvagem ficou pronto, só tive que o escorrer e empratar. Foi este o caril que hoje pus na mesa.


 


Além do sabor, é daqueles pratos que gosto de preparar pois deixa a cozinha com um aroma que, só por si, já abre o apetite. Aqui há tempos vi no youtube um vídeo no qual um chef indiano prepara um caril de camarão e afirma que a receita resultou da influência dos Portugueses na Índia. E eu que sempre pensei que tinha sido o contrário... Há alguém que saiba esclarecer este mistério?



19/10/10

No Reservations

Hoje não há receitas, mas o jantar estava bom (uns camarões, uns espargos verdes casados com tomate-cereja e três tipos diferentes de ovas sobre tostas da Bimbo, tudo acompanhado por uma salada de corações de alface). Para sobremesa: raviolis de chocolate.
E o que de melhor para fazer depois do jantar, enquanto se saboreia o café, do que assistir a um episódio de NÃO ACEITAMOS RESERVAS/NO RESERVATIONS, do Anthony Bourdain? O de hoje foi sobre Vancover e acreditem que, mesmo depois de uma boa refeição, este desgraçado nos consegue abrir o apetite.





E um vídeo de uma série anterior com uma visita de Anthony Bourdain ao Porto:



Por isso, seja na Sic Radical ou no Travel & Living, não percam esta fabulosa série. Conselho: levem um babete porque de certeza se vão babar a ver os pratos que aparecem no ecrã.
Eu só queria saber como é que este tipo consegue comer tanto (é doido por carne de porco) e manter a linha...

16/10/10

Mercados

Como moro no Bairro de São Jorge de Arroios, costumo abastecer-me no Mercado do Chile. Houve tempos em que sabia que podia encontrar peixe-galo para fazer filetes no Mercado das Picoas, mas há uns dias fui dar uma espreitadela ao Mercado Alvalade Norte... Um espanto!!!! Sobretudo ao nível do peixe. Quando tiverem oportunidade, não deixem de passar por lá. Os preços são um pouco superiores aos praticados no do Chile e no das Picoas, mas vale a pena. Só não encontrei Beldroegas...

O que fazer com umas fêveras de porco?

O pessoal cá em casa não é nada dado a fêveras/febras de porco, por mais saborosas que sejam (mas eu, como sou do contra, insisto em comprá-las, sobretudo porque são baratas e vivemos tempos de crise). Como sabia estar metido numa enrascada, pedi ajuda no Facebook, mas só o Nuno Ferreira veio em meu socorro. No entanto, apesar de louvável, percebi logo que a sugestão dele não iria ser do agrado cá do pessoal. Eu gosto mesmo de uma boa fêvera de porco bem temperada, grelhada no carvão, regada com limão e acompanhada por uma fatia de bom pão alentejano. Mas o pessoal cá de casa diz que fica tudo muito seco. Portanto, lá tive que puxar da imaginação, abrir as portas do frigorífico e do congelador e do armário dos enlatados. Ora, foi isto que me saiu.
Juntei: 1 pimento vermelho; 1 courgette; 1 beringela; alguns bróculos; 2 talos de aipo; 1 lata de maçarocas de milho; 2 dentes de alho; 8 cogumelhos Portobello; ervilhas; óleo Becel; óleo de soja; molho de ostra; gengibre em pó; sal grosso; pimenta preta; 6 febras de porco; um pacote de massa de arroz japonesa.
Numa sertã casei o óleo Becel e o de soja, na proporção de 1 para 3, e as testemunhas foram os dois dentes alho picadinhos. Depois de bem quentes os óleos, juntaram-se à cerimónia o pimento cortado em tirinhas, a courgette cortada em rodelas com a grossura de um dedo; a beringela, cortada em rodelas com a mesma grossura mas ainda recortadas em quartos e os cogumelos, também partidos em quartos. Entretanto, cortei as febras de porco em tirinhas bem finas (tipo Stroganoff – esta do «tipo» dá-me cabo da paciência, mas achei que aqui ficava muito bem...). Depois de bem salteados os primeiros legumes, puderam entrar os congelados (bróculos e ervilhas).


Os legumes a saltearem no óleo Becel e no de Soja.


 Chegou então o momento solene das ditas cujas fêveras darem o nó. Assim que entraram na igreja (blasfémia!!!) na sertã, foram banhadas com molho de ostra (atenção, pois já de si este molho é um pouco salgado e eu gosto de o usar generosamente), com sal, pimenta-preta moída na altura e uma colher de café de gengibre em pó e tapei para deixar ganhar vapor.


Is everybody in? The ceremony is about to begin


Nos entretantos, e assim que a carne começou a ganhar cor, pus água a ferver com sal para receber a massa (apenas 3 minutos de cozedura).
Quando tudo ficou pronto, foi só empratar e o resultado final acabou por ser este. O pessoal cá em casa comeu e não refilou!

13/10/10

Secretos com mexilhão

Hoje foi dia de jogo da Selecção e havia que estar na mesa um pouco antes das 20:45 para assistir ao desafio. Eu sei que o Cristiano Ronaldo foi rápido a marcar e que aos 2 minutos da partida a bola já estava no cantinho onde dorme o mocho :)))) como dizia o saudoso Jorge Perestrelo. Mas eu também não perdi tempo! Comecei às 20:00 horas e quando o árbitro apitou para o início da partida, já o jantar estava na mesa.
Peguei em seis secretos de porco preto e cortei-os em pedacinhos que chutei para a frigideira, onde foram defendidos por banha (também de porco preto), um dente de alho picado e um pouco de coentros. Reguei com meio copo de vinho branco e deixei tostar bem, quase até pegar. Entretanto, pus água com sal a ferver para fazer o arroz (Basmati) de ervilhas. Tive então tempo para cortar meia couve-roxa em tirinhas finas às quais juntei uma cenoura cortada em rodelas finas. Quando os secretos já estavam bem tostadinhos, dei ordem para os mexilhões atacarem e, para lhes dar mais energia, reguei tudo com uma boa dose de sumo de limão. O apito final aproximava-se, chegara a altura de temperar a couve-roxa e a cenoura com vinagre de Modena e sal. A equipa abandonou o relvado (o fogão) e dirigiu-se ordeiramente para os balneários (a mesa). Para festejar a vitória, houvesse que optasse por um tinto da Herdade das Servas e quem preferisse uma Budweiser.