30/11/10

Arroz de pato

O jantar hoje foi arroz de pato. Não devia apresentar a receita porque não fui eu que o fiz, mas sim a minha mulher. Digo apenas que se tratou de um pato muito especial, criado no campo lá para as bandas da Lourinhã e que tem um sabor incomparável, além de que a carne é mais escura e tem uma textura muito diferente da daqueles patos que se compram habitualmente nos supermercados. Isto é 100% pato, e pronto!
Eu vou tentar contar como tudo se passou.
Meio pato da mãe do Luís, que é sobrinho do Samuel, e têm os dois 25 anos! São eles os doidos que gerem o talho onde me abasteço quase diariamente.
Voltando ao meio pato dos campos da Lourinhã: mergulhou na panela de pressão acompanhado por uns quantos cravos cabecinha, uma cebola, um bom pedaço de chouriço de carne de Ponte de Lima (no Pingo Doce encontra-se da melhor qualidade!) sal e pimenta. Assim esteve em serena sauna cerca de meia hora. Entretanto, o forno pré-aquecido a 200°C. Finda a cozedura do patito, espera-se que este arrefeça um pouco para ser desfiado, coa-se a água da cozedura que é então aproveitada para cozer o arroz. Depois é só ir fazendo camas de arroz e deitando os pedacinhos de pato por cima num tabuleiro de barro. Após a última cama de arroz, colocam-se as rodelas de chouriço e leva-se ao forno cerca de 20 minutos.
DIVINO!!!!

29/11/10

Bacalhau no forno

Hoje o jantar foi bacalhau no forno. Gosto de bacalhau de quase todas as maneiras e feitios excepto... sob a forma de pastéis!!! Estes não me agradam mesmo nada e por isso tenho quase a certeza de que nunca aqui irei colocar uma receita dos ditos cujos pastelinhos :(((
Bom, mas regressemos ao jantar de hoje: depois de demolhadas durante dois dias para perderem o sal, deitei um bom fio de azeite num tacho de barro, fiz uma cama de rodelas de cebola cortadas bem finas e deitei as postas de bacalhau por cima. Temperei com flor de sal e pimenta preta moída na altura. Juntei ainda um bom pedaço de salsa fresca picada, um dente de alho também bem picadinho e ainda mais um fio de azeite.
Entretanto já tinha pré-aquecido o forno a 200°C durante 10 minutos. Depois foi só levar ao forno durante cerca de 30 minutos. Passado esse tempo, o bacalhau foi para a mesa acompanhado por grão-de-bico cozido e saboreado com um excelente tinto Vinha Grande de 2008. O jantar encerrou com uma deliciosa mousse de chocolate, mas isso já não foi obra minha, pelo que não revelo o segredo :)))

Carne de porco à alentejana

Faz tempo que não venho aqui porque o trabalho é muito e o tempo todo contado quase ao minuto. Nestas alturas a imaginação culinária como que entra em hibernação e as idas ao restaurante também aumentam!
No entanto, esta semana ainda tive tempo para preparar uma carne de porco à alentejana, de que muito gosto, tal como a minha filha mais nova.
Costumo prepará-la na cataplana mas, como já disse, o tempo é todo pouco e houve que despachar o almoço. Assim, a carne foi tratada numa vulgar frigideira e nem por isso se queixou!
Comprados 650 g de carne de porco cortada em cubos, foi chegar a casa e fazer uma marinada com azeite, vinho branco, sal, alho picado, salsa, colorau, pimenta preta moída na altura e sumo de meio limão pequeno.
Cerca de 3 horas depois, derreti um bocado de banha de porco preto numa frigideira e deitei a carne e a marinada. Tapei para deixar suar bem e quase ao fim, juntei as ameijoas. Entretanto, pus batatas em cubos a fritar para acompanhar e piquei muito miudinhamente pickles de couve-flor e cenoura.
Mais simples e rápido do que isto acho difícil
 

12/11/10

Favas

Hoje para o almoço fiz favas, acompanhadas por um bom pedaço de secretos de porco e um chouriço de carne de Ponte de Lima. Como se a experiência não bastasse, resolvi casar as favinhas com um pimento-vermelho!
Modéstia à parte, mas as favas que cozinho são as melhores do Mundo!
Um destes dias conto aqui como as preparo.

10/11/10

As minhas batatas no forno

Os tempos são de crise, eu sei, mas a verdade é que o jantar não se limitou a batatas!
No entanto, a novidade, residiu precisamente nas batatas que resolvi inventar para acompanharem a mão de borrego assada no forno que hoje comemos cá em casa.
Ao contrário do que é habitual, não tirei fotografias (o que foi pena, porque até ficaram com bom aspecto, mas tive medo que o petisco não resultasse e achei por bem não captar as imagens de um evento que poderia ter um final infeliz) e por isso limito-me a contar como as coisas se passaram.
Temperada com vinho branco, 2 dentes de alho picados, sal, colorau picante (o que dispensa a pimenta), duas folhas de louro, um fio de azeite e banha de porco-preto, a mão de borrego foi fazer sauna para o forno (previamente aquecido a 200ºC).
Não sei se é mania cá de casa, mas achamos a mão de borrego mais saborosa e mais tenra do que a pata (hoje tinham sobrado umas costeletas de porco do almoço, que também juntei ao borrego; noutras circunstâncias, e para evitar que alguém passe fome, peço sempre no talho 4 costeletas de borrego para juntar à mão do dito cujo animal).
Colocava-se então o problema do acompanhamento. Assim, comprei no Vasco 1 kg de batatas roxas das mais pequenas que, depois de bem lavadas e esfregadas, cortei em quartos (não as descasquei). Arranjei uma cebola, que cortei em rodelas finas e que depois voltei a cortar em quartos. Numa assadeira de pirex deitei um bom fio de azeite e depois fiz uma cama com uma parte da cebola, por cima da qual deitei as batatas. Tapei-as então com 2 dentes de alho bem picadinhos, um punhado de salsa picada, sal, colorau picante, tirinhas finas de pimento vermelho, o resto da cebola e mais um fio de azeite.
Foi um pouco complicado gerir a logística no forno, mas com a assadeira das batatas em equilíbrio sobre a assadeira de barro com a mão de borrego, tudo se acondicionou e lá foi suando no forno durante cerca de 1 hora. À meia hora, tirei tudo do forno e houve mudança de campo, ou melhor, virei a mão de borrego e revirei as batatas. Volta e meia usei a função grelhador ventilado para ajudar a tostar a mão de borrego, o que também teve bons efeitos nas batatinhas.
A mão de borrego já é visita conhecida e foi bem recebida, como sempre. Quanto, às batatas, posso garantir (porque as duas bocas júniores que tenho cá em casa são umas pestinhas para testarem novidades) que o sucesso foi absoluto, pois não sobrou nenhuma para testemunhar a experiência!!!

29/10/10

Coelho estufado com Guiness

É a segunda vez que faço este estufado (da primeira vez usei chambão, cortado em cubos pequenos, e ficou, modéstia à parte, realmente fabuloso!). Agora resolvi experimentar com coelho e não me arrependi.
Antes de mais, um AVISO: não tentem usar outra cerveja que não seja GUINESS! Só ela confere o sabor tão especial a este preparo, e passo a publicidade. Agora usei esta de lata, mas da vez anterior só consegui encontrar uma garrafa de 33 cl.
Para quatro pessoas o coelho deve ter entre 1,3 e 1,5 kg. Cortado em pedaços e bem limpo. 
Trata-se de uma receita que vai um pouco contra os meus princípios, pois leva mais do que a meia-hora ideal para a maior parte das refeições que gosto de preparar. Se for chambão, terá que estar no lume pelo menos 2 horas e meia. Contudo, a este Bugs Bunny dei «apenas» 1 hora e 50 minutos.
Agora passo a contar como foi: num tacho antiaderente deitei duas colheres de sopa de azeite e uma igual de manteiga. Deixei aquecer bem e, entretanto, enfarinhei os pedaços do lapin, para depois os deitar pouco a pouco no tacho. Tapei e deixei que alourassem bem, o que ainda leva o seu tempo. De vez em quando, virei os pedaços para que ganhassem todos cor por igual. Quando já davam mostras de queimaduras de 2.º grau, juntei-lhes 2 cenouras cortadas em pedaços finos, 2 talos de aipo, também cortados em pedaços finos, uma cebola bem picadinha, 1 folha de louro e 6 cogumelos Brauner cortados às tiras. Tapei e deixei que se regalassem todos numa sauna até suarem as estopinhas. A seguir, acrescentei 4 colheres de polpa de tomate, uma folha de louro, uma pitada de noz-moscada e uma pitada de cominhos. Chegou então a vez da Guiness entrar em acção para ajudar a hidratar o coelhito que já estava mais do que suado. No entanto, como há que beber com moderação, despejei apenas metade da lata (e aproveitei para beber um gole). Dado que o coelho já podia nadar, espevitei um pouco o lume e temperei com sal e mostarda de Dijon (sempre ouvi dizer que os coelhos gostam mais de mostarda do que de pimenta).


Aproveitei então para tratar do acompanhamento, aliás bastante simples: batatas cozidas. Descasquei e cortei 6 batatas em rodelas da grossura de um dedo e cozia-as com um pouco de sal. O tempo foi passando e à medida que a Guiness ia evaporando/espessando fui deitando mais um pouco para evitar que o coelho morresse à sede.
Quando as batatas atingiram o ponto de cozedura, um pouco antes de virarem puré, tirei-as do lume, coloquei-as numa taça, reguei-as com um bom fio de azeite, um dente de alho picado, pimenta-preta e salsa também picada. Depois, com um garfo, revirei tudo e piquei grosseiramente as batatas.
Já eram 9 horas da noite. O pessoal cá da pensão gritava que estava a morrer de fome. Por isso, já não tive tempo para tirar fotos da boda do coelho com as batatas devidamente empratados. Mas posso assegurar que foi uma cerimónia bonita de se ver!

27/10/10

Gastronomia tailandesa

Há já quase 30 anos que, numa viagem a Paris, me rendi à gastronomia japonesa, hoje tão divulgada, mas também tão aldrabada por este país à beira-mar plantado! (Pelo que tenho podido observar, a aldrabice não é só nossa, pois em Espanha, Inglaterra, França, Holanda e Itália, muitos antigos restaurantes de comida chinesa converteram-se e passaram a servir comida pseudo-nipónica :((((((((). Já para não falar dos «sushi-men» brasileiros que tentam impingir aquilo a que pomposamente chamam de comida de fusão... :(((
No entanto, como os sabores do Extremo Oriente não se ficam pelo Japão, quero partilhar aqui uma cozinha riquíssima e que ainda não tem representação digna de nota no nosso país. Não digo para irem à Tailândia, que ficou ainda mais longe nestes tempos de crise e aperto do cinto que agora se fazem sentir. Contudo, aqui mais perto de nós, em Amsterdão, não faltam restaurantes tailandeses. Eu experimentei este, e gostei tanto, que voltei no dia seguinte. Fica mesmo em frente ao Waag.


Para quem estiver interessado em aventurar-se no fogão, aconselho que comece pelo arroz. Esta receita é bastante simples e de resultado garantido. Para que este arroz possa servir de prato principal e não de simples acompanhamento, aconselho a que se juntem mais alguns ingredientes: frango, lulas ou camarões, pimentos (1 vermelho e 1 verde) cortados em tirinhas finas, cogumelos pretos, uma ou duas malaguetas bem picadas, algumas folhas de hortelã e rebentos de soja.



Depois, de entre as 1001 opções que se podem encontrar pela Net, há muito a explorar, por exemplo, por aqui: http://www.ifood.tv/r/thai/recipes
Divirtam-se e bom apetite