10/01/11

Risotto alla rucola e ai gamberetti

Antes de mais, sempre que se confecciona este prato cá em casa paira no ar um romantismo muito especial porque evoca um jantar em Veneza, partilhado com três das pessoas de quem mais gosto (só faltava uma), frente a La Giudecca na última noite em que estivemos nessa cidade inesquecível.
Deixemos então passar as gôndolas e calarem-se os violinos e passemos àquilo que realmente interessa.
Primeiro que tudo, uma boa dose de paciência, pois sem ela o risotto nunca pode sair bem. Segundo um bom vinho branco, indispensável para banhar o risotto e para depois o saborear. Hoje a escolha recaiu num Paulo Laureano Clássico de 2009.
Feitas as apresentações, segue-se a preparação (que cá em casa exige sempre a participação da minha mulher, porque não tenho a tal dose de paciência para estar sempre a vigiar/mexer o risotto e a ver quando se encontra à beira da desidratação...) 
Começamos por picar uma cebola bem picadinha, deitamos um generoso fio de azeite num tacho antiaderente (também podemos optar por manteiga, mas o azeite empresta aquele gostinho especial). Deixamos a cebola e o azeite volupiarem até que ela o faça chorar e ele a faça perder a cor. Depois de bem suados, juntamos o risotto (1 copo de 20 cl cheio a 2/3), mas o «ménage à trois» dura apenas 2 ou 3 minutos, pois a seguir passa-se a uma verdadeira orgia com o acrescento de um copo (20 cl) de vinho branco. Entra então em acção a minha mulher para vigiar/mexer o risotto e ir juntando água (bem quente e enquanto não tenho tempo/paciência para confeccionar um caldo de marisco, que é o ideal). Quando o risotto está quase no ponto, juntamos os camarões (350 g para duas pessoas), os temperos de flor-de-sal, noz-moscada (apenas uma pitadinha), salsa bem picadinha e pimenta-preta moída na altura.  Também não podem faltar 2 colheres de sopa de natas e 4 colheres de sopa de Parmesão. Deixa-se apurar mais 2 ou 3 minutos e está pronto.
Entretanto, faz-se uma cama de rúcola em cada um dos pratos para depois deitar sobre ela o risotto e acaba-se de empratar com 3 ou 4 tomates-cereja cortados ao meio.
Foi assim que chegou à mesa:

07/01/11

Iscas

Mais uma prova de que estou mesmo a deixar que os anos passem por mim. Prato que detestava em puto, tornou-se de há alguns anos a esta parte um petisco que preparo com certa regularidade para mim, pois cá em casa mais ninguém gosta. Atenção, no entanto, a um pormenor: só gosto de fígado de vitela!!! Não me ponham iscas de porco à frente porque continuo a não gostar dessa parte dos interiores mais internos do coitado do suíno.
Acho que não há segredo nenhum na preparação e que talvez tudo se resuma à importância da vinha-d'alhos.
Eu faço as minhas assim: deixo-as umas boas horas em vinho branco, 2 dentes de alho, 1 folha de louro, uma pitada de cominhos, sal e pimenta. Depois deito uma boa porção de manteiga numa frigideira e deixo derreter. A seguir junto a marinada e espero que comece a ferver. Reduzo então o lume e coloco as iscas (gosto delas cortadas muito finas). Quando estão no ponto (não gosto muito passadas porque ficam secas de mais) é só servir acompanhadas com batata cozida – cortada de preferência em rodelas grossas – e regadas com o molho das iscas. Imprescindível também, é um  pedaço de pão de boa qualidade para molhar na molhaca!

03/01/11

Nem sempre «mais vale só, do que mal acompanhado»...

Creio que já aqui referi que, pelo menos para mim, é sempre um quebra-cabeças arranjar acompanhamento para os pratos principais. Quando duas das hóspedes cá da casa poucas aventuras me permitem neste domínio para além de batatas fritas, esparguete, massas com natas, cogumelos e bacon, arroz branco, batatas assadas a murro ou salada (apenas com alface e cenoura), é evidente que a imaginação depressa se esgota.
No entanto, depois de preparar um lombinho de porco assado (e de fritar umas batatas para as raprigas) decidi que eu e a minha mulher não devíamos ficar sujeitos a esta «ditadura» da juventude e resolvi arriscar algo diferente.
 Há uns anos, li uma tirada do António Lobo Antunes em que dizia mais ou menos isto: «acho que estou a ficar velho, porque comecei a gostar de sopa». No meu caso, acho que estou a ficar velho porque, além de me terem sabido muito bem umas pescadinhas de rabo na boca que já aqui apareceram (e que eu DETESTAVA em miúdo), optei agora por outro produto que nunca foi do meu agrado: Farinheira. Isso mesmo: gosto muito de cozido à Portuguesa, mas sempre pus de parte a farinheira.
Armado então de grande coragem, comprei uma farinheira (de muito boa qualidade, pelo que me disseram no talho) e cozia-a durante 10 minutos (tempo a mais, mas há que ir por tentativa e erro). Depois, num tacho de barro, deitei um bom fio de azeite, 2 dentes de alho picadinhos, cogumelos Brauner e bróculos já previamente cozidos com uma pitada de sal. Tapei e deixei que suassem as estopinhas. Entretanto, cortei a farinheira em rodelas bem grossas. Quando os bróculos e os cogumelos estavam quase no ponto, juntei a farinheira e mexi com cuidado por várias vezes. Apurei temperos de sal e pimenta-preta moída na altura e foi só levar para a mesa.
Posso garantir que casou na perfeição com o lombinho de porco assado.

20/12/10

Salada de frutas

Não tirei fotografias e foi pena, porque digo-vos que isto é de comer e cair para o lado.
Loucuras, experiências que resultam bem. Uma tentativa de levar o pessoal cá da casa a comer fruta às refeições.
Foi assim, para 4 pessoas:
1 embalagem de mirtilos do Pingo Doce (eu vejo sempre a data de validade e a origem, para não ser enganado e os melhores são os portugueses... mas os holandeses também se comem bem);
1 embalagem de framboesas do Pingo Doce (idem, idem);
1 tangerina (não sei a proveniência) cortada em pedacinhos;
1 maçã bravo esmolfe (já sei que não existem peros e que é tudo maçãs???) cortada em pedacinhos;
2 colheres de sopa de açúcar DEMERARA;
1 pitada de canela em pó;
1 bom shot de Vodka Moskovskaya;
10 cl de sumo de laranja
1 colher de sopa de mel

Deixei tudo a «marinar» no frigorífico enquanto dávamos conta do jantar e depois ninguém resistiu a esta experiência. Estava de tal modo boa que até me pediram para repetir.

Salmão à pressão

Outra receita feita à pressa.
10h30 da manhã uma reunião de trabalho no Lagoas Park, que durou até ao meio-dia. E depois era preciso regressar a Lisboa a tempo de fazer o almoço e levar a Joana à escola, às 13H45. Pois bem, após uma rápida passagem pelo Continente do Oeiras Shopping consegui arranjar duas embalagens de lombos de salmão da Noruega com óptimo aspecto. Ainda encontrei uma embalagem de vieiras que pensei logo em casar com o salmão. Para terminar, nos legumes deparei com uns bróculos com aquele verde-escuro que me esbringam todo! Foi meter tudo no cesto, pagar e arrancar para Lisboa a cento e duzentos.
Chegado a casa, deitei um fio de óleo Becel numa frigideira, coloquei os 3 lombos de salmão, que temperei com sal, pimenta-preta e umas gotas de limão. Enquanto isto, pus água a ferver para cozer os bróculos. Cortei duas vieiras ao meio, deitei um pouco de manteiga noutra frigideira para as saltear, temperadas com uma pitadinha de flor-de-sal.
Depois de virado e revirado, o salmão pareceu-me bem bronzeado. Os bróculos já se deixavam espetar com o garfo. As vieiras estavam no ponto. Assim, foi só empratar (achei que não ficava nada mal juntar umas ovas de salmão às vieiras) saborear e levar a Joana à escola (apenas com 5 minutos de atraso)
Mais rápido do que isto e com algum requinte???... Acho difícil, mas agradeço a quem me ensine.

Borrego

Se há coisa de que gosto é não ter ideias para confeccionar uma refeição e deparar com uma agradável surpresa na praça, no talho ou no supermercado. Este borrego foi precisamente fruto de uma situação destas. Entrei no Pingo Doce à procura de qualquer coisa para dar de jantar cá ao pessoal da casa e deparei com uma caixa com vários pedaços de borrego (a um preço bastante aceitável) a rir-se para mim.
Foi pegar, procurar um frasco de feijoca, pagar e confeccionar.
Como havia pouco tempo, mal cheguei a casa liguei o forno a 250°C. Lavei alguns pedaços de borrego, que, depois de fazer uma cama com rodelas de cebola, deitei numa assadeira. Dei-lhes de beber um branco seco, temperei-os com sal, pimenta-preta moída na altura, 2 folhas de louro, 2 dentes de alho bem picadinhos, uma pitada de cominhos e outra de gengibre. Depois foi a vez do pimentão, de umas boas gotas de limão, de um generoso fio de azeite e de duas colheres de sopa de banha de proco preto. O forno já estava bem quente e foi só colocar a assadeira. Passados 10 minutos, mudei para a função grill a fim de dar um bom bronzeado ao borreguito. À meia hora, tirei do forno, virei os pedaços de borrego, reguei-os com o molho e voltei a guardar no forno por mais meia-hora.
Entretanto, deitei num tacho de barro um bom fio de azeite, uns pedacinhos de barriga fumada, uma boa mão-cheia de gindungo e salsa muito picadinha. Levei ao lume e quando começou a borbulhar, deitei a feijoca, mais uma pitada de flor-de-sal.
Em resumo, ao fim de uma hora, foi assim para a mesa (as crianças, preferiram batata frita :(((( ) e escolhi para acompanhamento um Tinto da Herdade das Servas. Irresistível!!!

07/12/10

Favas

Lá volto à carga com as favas, mas hoje foi mesmo uma experiência bem sucedida. Resolvi arranjar novas companhias para as minhas favinhas e assim peguei nos três produtos que tinha à mão: um chouriço de Ponte de Lima, uma barriga de porco fumada e três fatias de pastrami. O preparado dá para duas pessoas.
Depois de picar, bem picadinhos, uma cebola e dois dentes de alho, deitei um generoso fio de azeite num tacho de barro e deixei a cebola e o alho refogarem. A seguir juntei as rodelas de chouriço. Depois foi a vez das favas (eram da Iglo e já estavam praticamente descongeladas - 800 g) entrarem para o tacho, acompanhadas por uma boa pitada de sal e mistura de cinco pimentas moída na altura. Seguiram-se coentros bem picadinhos e um copo de vinho branco seco. Quando o caldo já estava quase a desaparecer, juntei a barriga fumada cortada em cubos grossos, deixei que derramasse um pouco de gordura para reforçar o caldo e depois ainda tive que acrescentar um pouco de água (a ferver). Na altura em que as favas já se deixavam comer, ou seja, quando ficaram macias, juntei o pastrami cortado em tiras largas, tapei e deixei suar ainda mais 2 ou 3 minutos.
As favinhas foram para a mesa acompanhadas por um um tinto Monte das Servas «Escolha» de 2008. DIVINO!!!