02/10/11

Empanada gallega

Embora a maior parte das receitas proponha o atum como principal ingrediente, eu prefiro a carne. Mais fácil do que isto deve ser difícil (só mesmo bife grelhado!). Para 4 pessoas, o rol de ingredientes é este:

1 Cebola bem picada, 
2 dentes de alho bem picados, 
pimenta-preta moída na altura, 
500 g de carne de vaca picada
Azeite
1 ovo cozido
sal q/b
6 colheres (sopa) de polpa de tomate
salsa picada


Estes foram os ingredientes que utilizei porque tenho cá em casa duas «pestes» que torcem o nariz a outros condimentos. Se, por acaso, tiverem a sorte de ter santas-bocas lá em casa, podem ainda juntar um pouco de pimento-vermelho e azeitonas sem caroço (pretas e verdes) cortadas em rodelas finas.

Quanto à massa, das duas três: só no El Corte Inglés consigo encontrar massa para empanada gallega, mas podem procurar no Youtube receitas para a confeccionar (eu não me atrevo a tanto, nem tenho paciência). Podem optar por massa FILO. Foi o que fiz neste caso.Devo dizer que prefiro a primeira opção, embora a segunda empreste uma textura crocante bastante interessante. Mas atenção, caso optem pela massa FILO, têm que ser rápidos pois se fica ao ar mais de 20 minutos começa a endurecer e torna-se quebradiçada.
Depois é só passar o preparado da frigideira para a travessa, já previamente com a base de massa, espalhar uniformemente, colocar nova camada de massa, selar os bordos com gema de ovo, pincelar a cobertura com mais gema de ovo para ficar tudo com um bom acabamento e levar ao forno (180°C) por 15 a 20 minutos.
Foi assim que começou
Peço desculpa, mas a foto do resultado final mais parece digna de um manual de camuflagem. No entanto, garanto-vos que não usei carne de camaleão. Foi apenas uma coincidência de toalha amarela com uma massa que ficou bem lourinha
PS: para evitar que, à minha revelia, a massa FILO se amancebasse com a travessa, usei uma folha de papel vegetal a fim de evitar misturas indesejáveis de fluidos.

20/09/11

Desventuras de umas pataniscas de polvo

Por vezes, quando era puto, vinham à mesa umas «coisas» que eu detestava e a que a minha mãe chamava Peixinhos da Horta: no fundo, feijão-verde passado por uma polme e frito em óleo. Hoje em dia, até sou capaz de gostar... ainda não voltei a experimentar, apesar de fritos não serem a minha especialidade, tanto em termos de saborear como de cozinhar (excepção para uns linguadinhos fritos com arroz de tomate ou açorda de berbigão e Batatas fritas da marca Ti-Ti.)
Talvez pela minha aversão à generalidade dos fritos, o preparado que me ocorreu experimentar não tenha corrido da melhor maneira. Não sei que raio me passou pela cabeça, mas deu-me para tentar umas pataniscas de polvo.
Vamos por partes:
1. O polvo congelado da Pesca Nova não tem sabor, mas ficou bem cozido e muito tenro. Quem quiser experimentar, tem outras soluções como comprar polvo fresco na praça (e congelar pelo menos por 2 dias) ou no Pingo Doce (passo a publicidade) também se encontram embalagens de polvo de excelente qualidade (o cinzento, porque o cor-de-rosa NÃO SABE A NADA)
2. Falhei ao cortar o polvo sem sabor em pedaços demasiado grandes.
3. Como se já não bastasse o erro, a polme também não saiu nada bem: entre 2 ovos, salsa picada, pimenta-preta moída na altura, sal, água e farinha, percebi que temos que juntar farinha até quase fazer uma argamassa que dá para juntar tijolos numa construção anti-sísmica e depois embeber nela o polvo, com a ajuda de duas colheres de sopa, e depois mergulhar o preparado em óleo bem quente. Eu optei por poupar demasiado na farinha com medo que se notasse muito o gosto.
4. Em suma, pataniscas saíram, mas ninguém quis repetir e ainda sobraram uns quantos nacos de polvo

04/09/11

Férias

Uma semana de férias em Cabanas que teve como notas dignas de registo:

1. Quatro robalos que mais frescos seria impossível. Comprados na Praça de Cabanas, amanhados, escalados e grelhados em casa, no carvão. De comer e chorar por mais.
2. Um jantar na Casa do Polvo-Tasquinha, em Santa Luzia. Acho que esta casa merece visita diária até se esgotar o Menu. EXCELENTE
3. Para terminar em beleza e comemorar condignamente os 47 Verões da sócia, um jantar DIVINAL na Noélia, em Cabanas. Linguadinhos fritos com açorda de conquilhas; Pataniscas de Polvo com arroz de coentros. Falta-me adjectivo que deixe «excelente» alguns furos abaixo, fico-me por EXCELENTÍSSIMO. Só foi pena ter uma coluna a tapar-me a vista da televisão, pelo que quase não consegui ver o jogo da nossa selecção.

Alguém sabe onde se pode encomendar bom tempo antes de partirmos para férias? É que este ano foram 3 dias bons + 3 dias péssimos e para terminar, no último dia, 2 horas de praia com um Sol que deu direito a escaldão :(
Isto é que vai uma crise... 


04/08/11

Sabores do mar

O almoço foi polvo cozido (bem macio, por sinal, apesar de a panela de pressão se mostrar cada vez menos cooperante) e sobraram duas patas, pernas, andantes, calcantes... o que lhes quiserem chamar. O que interessa é que em tempos de crise não se pode desperdiçar nada e, por isso, havia que aproveitar as ditas cujas patas do polvo.
Resolvi inventar e juntei tamboril, vieiras, mexilhões, cogumelos, pimento amarelo, feijão verde e lima. Deu um bocadito de trabalho a mais para o meu gosto, mas valeu a pena. Hoje não me apetece contar como o caso se passou, pois foram várias as operações de confeccionar e reservar até chegar ao final. Querem um conselho? Façam como eu, experimentem. Para aqueles que ainda sabem menos disto do que eu – que pouco ou nada sei –, deixo apenas um conselho: o tamboril e as vieiras são a última coisa a ir para o lume que, como se quer num preparado destes, não pode estar armado em esperto. Isto é daqueles pratos para fazer com grande dose de calma e paciência qb. Só o feijão verde é que foi cozinhado à parte, os restantes ingredientes foram entrando e saindo da frigideira

Ingredientes:
4 colheres (sopa) de manteiga
vinho branco de boa qualidade
2 patas de polvo (já cozidas)
seis cubos de tamboril cortados em lascas
4 vieiras grandes
salsa picada
4 cogumelos brauner (2 cortados em lascas + 2 bem picados para espessarem o molho)
pitada de gengibre
4 rodelas finas de lima (mais uns quantos pingos sobre o peixe)
4 mexilhões grandes da Nova Zelândia
1/2 pimento amarelo cortado em tiras
feijão verde
flor-de-sal e pimenta-preta moída na altura

Como os olhos também comem, o resultado final já empratado ficou assim





Bife de espadarte

Um destes dias trouxe para casa um belíssimo bife de espadarte que deu à vontade para duas pessoas. As mais novas não gostam e por isso contentaram-se com o mais do que costumeiro bife com batatas fritas.
Embora goste bastante de bife de espadarte grelhado, achei por bem, e não me arrependi, dar-lhe um tratamento que o deixasse menos seco e mais suculento. Dei adiantamento às batatas cozidas e depois, quando já estavam prontas é que tratei do peixe.



Ingredientes
1 bife de espadarte
1 cebola cortada em rodelas
1 bom fio de azeite em cada frigideira
1/2 pimento amarelo cortado em tiras
4 colheres (sopa) de polpa de tomate
2 dentes de alho picados
salsa picada
1 copo de vinho branco de boa qualidade
1 folha de louro
sal e pimenta-preta moída na altura


30/07/11

Batatas fritas à Ramalho

É por de mais evidente que texto assim escrito não podia ser de minha lavra. Encontrei-o no http://gastrossexual.blogspot.com e achei a prosa de Ramalho Ortigão tão deliciosa que não resisti a postá-la aqui. Tomara eu ter manteiga de Sintra, batatas das melhores e frigideira de porcelana para me aventurar em tal preparo:
“... eu vou-vos ensinar a frigir batatas.
Saibam todos os meus adversários o modo por que eu procedo quando intento oferecer aos meus amigos esse delicioso manjar das batatas fritas. 
Está já agora decidido... Não! não morrerás comigo, ó doce, ó bom, ó divino segredo!
Apercebo-me mandando vir de Sintra a manteiga mais fresca, e compro as melhores batatas que encontro. Depois disto vou para a cozinha e sento-me à banca das operações. Descasco as batatas cruas, aparo-as escrupulosamente e parto-as em fatias de meio dedo de grossura. Em cima do lume muito brando, quase de um rescaldo, coloco a minha frigideira de porcelana, lanço-lhe um bocadinho de manteiga e vou alourando pouco a pouco, branda e sucessivamente, as minhas rodelas. É uma operação para que se não quer pressa, mas dedicação, mimo e paciência.
Depois de meio fritas, as batatas, vou-as retirando e pondo à janela ao ar. Terminado este primeiro serviço, faço atear uma forte fogueira e reponho no lume a frigideira com um grande naco de manteiga. Quando esta, derretida, principia a saltar em bolhas de fervura, lanço-lhe outra vez as batatas afogadas na manteiga em ebulição, empolam então pronta, rápida, portentosamente e cada uma das rodelas toma logo uma forma esférica. 
É admirável, é quase miraculoso o resultado deste processo. A batata fica fofa, amanteigada, farinhenta, inchada, leve e mole como uma filhó ou como um sonho!”

Saltimbocca

Quando falta a imaginação e o tempo urge, pois há quem reclame às 19h50m que está com fome... é questão de dar um salto ao talho do Vasco, Samuel e Luís, arranjar 8 escalopes de vitela, igual quantidade de fatias de bacon e voltar a correr para casa.
Depois ainda é preciso entabular uma delicada «conversa» com os escalopes: colocados em grupos de 4 num saco de plástico, são torturados a golpe de martelo a fim de amaciarem e se desfazerem na boca, como mandam os Romanos. 



Dificuldade = 0, tempo de preparação = mais do que rápido
Além dos escalopes enrolados com o bacon e cravados com um palito, achei por bem juntar uns cogumelos Portobello, que emprestaram um delicioso sabor ao molho, que constou ainda de duas simples nozes de manteiga e de um shot de Moscatel de Setúbal (à falta de vinho da Madeira cá em casa). Pequeníssima pitada de sal (o bacon já tem q.b.) e pimenta-preta moída na altura completaram os temperos.
Penso que qualquer italiano que se preze ficaria contente se lhe apresentassem isto no prato. Ou seja, não tugia nem mugia e comia o que tinha à frente. Mas um português, mesmo daqueles que contam todas as calorias que ingerem diariamente, não se satifaz com tão parcas vitualhas e por isso achei por bem preparar uma tortilla das mais simples como acompanhamento. Bem sei que teria sido melhor ter optado por focaccia e farinata, mas trata-se preparados que ainda não me aventurei a confeccionar e por isso optei por jogar pelo seguro.
Pouco antes de ir para a mesa, a Nikon D40 captou esta imagem: