17/01/12

Camarões com abacaxi e leite de coco

A imaginação deve andar tolhida pela crise e por outras chatices com que a vida nos presenteia ao virar da esquina. Mas, a verdade, é que o estômago não se contenta com tais desculpas e exige ser alimentado quotidianamente, pelo menos duas vezes ao dia.
À segunda-feira, como é sabido, não há mercado e os talhos que estão abertos não têm carne fresca porque os matadouros também estiveram de week-end. Assim, nada melhor do que recorrer aos congelados.
O abacaxi é fresco – foi comprado num supermercado altamente que agora até passou a ter sede nos Países Baixos... –, assim como o gengibre, comprado ao paquistanês da esquina que tem a mercearia, tabacaria e liquor house aberta até à meia-noite. Dá sempre jeito!
Vamos ao que interessa, ou melhor, àquilo que já não me apetece escrever porque já comi e fiquei satisfeito com o resultado.
A minha ideia de base foi caramelizar cebola, pedaços de ananás, duas lascas de gengibre e dois dentes de alho. Depois de escurecidos, juntei-lhes os camarões e boa pitada de gindungo. Tapei o tacho e deixei tudo em sauna. Para não desidratarem, acabei por juntar meia lata de leite de coco e uma colher de chá de caril (do verdadeiro, daquele feito por quem sabe e que não conta o segredo a ninguém – pela minha parte, tudo bem, desde que me vá oferecendo umas doses de vez em quando).
Entretanto, tratei do arroz selvagem que demora sempre mais tempo a cozinhar do que o outro. Quando estava quase no ponto, banhei-o com 3 colheres de sopa de leite de coco
Quando o camarão estava pronto a saltar para a mesa ainda lhe juntei uma pitada de coentros picadinhos e meio cálice de Cutty Sark, deixando apurar sabores e aromas mais 2 ou 3 minutos.
Feito o ninho de arroz selvagem, ficou com este aspecto

28/12/11

Bacalhau com Broa e camarões

Seis fatias de broa, cortadas finas e metidas na torradeira durante 5 minutos. Depois trituradas no 1-2-3.
Uma boa posta de bacalhau assado no forno que sobrou porque já não havia barriga para mais.
Além da crise, da troika e do raio que os parta a todos, nunca fica mal a ninguém aproveitar o que restou de uma boa refeição! Sobretudo porque, ou é ideia minha, ou pura realidade, os aromas ganham alma passadas 24 horas...
Imaginação e um bom fio de azeite, um dente de alho gordo e bem picado. Pitada de sal e pimenta-preta. Coentros. Embalagem de camarões. Mexe e remexe para combinar sabores. E vai para a mesa que já se faz tarde.

10/11/11

Camarão e linguine com tinta de choco

Acho que anda a passar um anúncio na televisão com uma mensagem subliminar (não sei em que canal, porque raramente vejo televisão); uma marca de massas apresenta várias qualidade e sugestões de apresentação e deve ter-me hipnotizado de tal maneira que hoje, ao passar pela secção de massas no supermercado, não resisti e... lá vai uma embalagem de Linguine com tinta de choco para dentro do carrinho de compras.
Ainda bem que me deixei cair em tentação porque o resultado ficou uns quantos pontos acima das minhas expectativas. Da próxima vez vou experimentar com tinta de choco a sério e vera pasta italiana, pois desconfio que ainda sairá melhor.
Bom, mas vamos ao que interessa. Como sempre, a lista de ingredientes:

Para 2 pessoas
Cerca de meia embalagem de linguine
400 g de camarão
água
azeite
1 dente de alho picado fino
1 raminho de coentros bem picadinhos
Boa pitada de gindungo
sal q.b.

Cozido o linguine durante 6 minutos (gosto dele «al dente»), escorri a água e reservei. Enquanto isso, já tinha descascado e cortado os camarões, preparado um tacho de barro com um generoso fio de azeite, o alho, os coentros e o gindungo. Aquecido o azeite, fui deitando linguine e camarões e envolvendo para casarem aromas e sabores. Rectifiquei o tempero de sal e levei à mesa. 
Além do magnífico contraste de cores (pois que os olhos são sempre os primeiros a comer), o melhor de tudo é mesmo o sabor.

27/10/11

Lombinho de porco recheado

O lombinho de porco é visita assídua à mesa cá da casa. Ora, talvez por isso mesmo, já todos os comensais começam a ficar um bocado fartos do dito cujo. Perante tal situação, nada melhor do que compor-lhe um outro aspecto (fica de comer e chorar por mais quando acompanhado por umas belas castanhas, mas nem todAs apreciam...). Meu dito, meu feito! Trata de afiar bem afiada a faca que o há-de cortar ao meio, pensar no recheio (ah, vocês gostam de Pizza Tropical à moda da Pizza Hut?! Então, tomem lá disto!) E mainada!



Vejamos o filme dos acontecimentos:
1 lombinho de porco
2 fatias de ananás
1 lata de cogumelos laminados
bacon cortado em tiras finas
pimenta-preta moída na altura
pitada de sal (atenção que o bacon já tem sal qb)
Cordel para selar o lombinho
1 folha de louro
1 dente de alho
Fio de azeite
20 cl de vinho branco temperado com gengibre
Ao fim de 45 minutos no forno a 200°C, ficou pronto a comer, acompanhado por uma feijoca suada em azeite com gindungo e espinafres. Para decorar o prato, uns mais do que excelentes pickles de manga confeccionados pela Mina com produtos directamente recebidos da Índia e com aquele travo PICANTE indiscritível.



Quanto aos pickles de manga, peço desculpa, mas não sei a receita. E mesmo que soubesse, não a contava :))))


19/10/11

Bacalhau fresco

Bacalhau é peixe do qual qualquer português que se preze gosta (em termos de peixe, eu não devo ser 100% português porque não gosto de sardinhas assadas e só vou à bola com as de conserva, desde que sejam de Matosinhos).
Mas vamos ao assunto: já fazia muito tempo que ansiava por experimentar bacalhau fresco. Sim fresco, sem ser o seco e salgado que conheço desde que vim ao mundo nos idos de Julho de 1959. Desse já lhe conheço as manhas e alguns tratamentos, pelo que, para combater a crise, há que trilhar novos caminhos, nem que seja na cozinha.
Como o bicho era novo para mim, não me aventurei em dar-lhe tratamentos para além dos meus parcos conhecimentos culinários e, por isso, limitei-me a regar uma assadeira com um bom fio de azeite, a postar nela 3 postas de bacalhau fresco, nada de acrescento de sal pois já vem salgado q/b, sobre cama de cebola cortada em rodelas muito finas. Benzi as postas de bacalhau com um dente de alho mais picadinho do que o Orçamento de Estado com que o Passos Coelho está a picar os cidadãos portugueses e pimenta-preta moída na altura. Achei por bem juntar mais um pouco de cebolinho picado e umas tiras de pimento laranja (não gosto desta cor PPD/PSD, mas foi o que tinha à mão, e resultou).
Forno pré-aquecido a 200°C (esta linguagem técnica fica sempre bem em qualquer receita...) e lá foi a assadeira para o forno. Apostei em 25 minutos e aos 15 minutos juntei bróculos congelados (se quiserem experimentar, espetem com eles no forno logo de início: os meus ficaram algo duros, mas comestíveis).
E prontoS, resultou.

02/10/11

Empanada gallega

Embora a maior parte das receitas proponha o atum como principal ingrediente, eu prefiro a carne. Mais fácil do que isto deve ser difícil (só mesmo bife grelhado!). Para 4 pessoas, o rol de ingredientes é este:

1 Cebola bem picada, 
2 dentes de alho bem picados, 
pimenta-preta moída na altura, 
500 g de carne de vaca picada
Azeite
1 ovo cozido
sal q/b
6 colheres (sopa) de polpa de tomate
salsa picada


Estes foram os ingredientes que utilizei porque tenho cá em casa duas «pestes» que torcem o nariz a outros condimentos. Se, por acaso, tiverem a sorte de ter santas-bocas lá em casa, podem ainda juntar um pouco de pimento-vermelho e azeitonas sem caroço (pretas e verdes) cortadas em rodelas finas.

Quanto à massa, das duas três: só no El Corte Inglés consigo encontrar massa para empanada gallega, mas podem procurar no Youtube receitas para a confeccionar (eu não me atrevo a tanto, nem tenho paciência). Podem optar por massa FILO. Foi o que fiz neste caso.Devo dizer que prefiro a primeira opção, embora a segunda empreste uma textura crocante bastante interessante. Mas atenção, caso optem pela massa FILO, têm que ser rápidos pois se fica ao ar mais de 20 minutos começa a endurecer e torna-se quebradiçada.
Depois é só passar o preparado da frigideira para a travessa, já previamente com a base de massa, espalhar uniformemente, colocar nova camada de massa, selar os bordos com gema de ovo, pincelar a cobertura com mais gema de ovo para ficar tudo com um bom acabamento e levar ao forno (180°C) por 15 a 20 minutos.
Foi assim que começou
Peço desculpa, mas a foto do resultado final mais parece digna de um manual de camuflagem. No entanto, garanto-vos que não usei carne de camaleão. Foi apenas uma coincidência de toalha amarela com uma massa que ficou bem lourinha
PS: para evitar que, à minha revelia, a massa FILO se amancebasse com a travessa, usei uma folha de papel vegetal a fim de evitar misturas indesejáveis de fluidos.

20/09/11

Desventuras de umas pataniscas de polvo

Por vezes, quando era puto, vinham à mesa umas «coisas» que eu detestava e a que a minha mãe chamava Peixinhos da Horta: no fundo, feijão-verde passado por uma polme e frito em óleo. Hoje em dia, até sou capaz de gostar... ainda não voltei a experimentar, apesar de fritos não serem a minha especialidade, tanto em termos de saborear como de cozinhar (excepção para uns linguadinhos fritos com arroz de tomate ou açorda de berbigão e Batatas fritas da marca Ti-Ti.)
Talvez pela minha aversão à generalidade dos fritos, o preparado que me ocorreu experimentar não tenha corrido da melhor maneira. Não sei que raio me passou pela cabeça, mas deu-me para tentar umas pataniscas de polvo.
Vamos por partes:
1. O polvo congelado da Pesca Nova não tem sabor, mas ficou bem cozido e muito tenro. Quem quiser experimentar, tem outras soluções como comprar polvo fresco na praça (e congelar pelo menos por 2 dias) ou no Pingo Doce (passo a publicidade) também se encontram embalagens de polvo de excelente qualidade (o cinzento, porque o cor-de-rosa NÃO SABE A NADA)
2. Falhei ao cortar o polvo sem sabor em pedaços demasiado grandes.
3. Como se já não bastasse o erro, a polme também não saiu nada bem: entre 2 ovos, salsa picada, pimenta-preta moída na altura, sal, água e farinha, percebi que temos que juntar farinha até quase fazer uma argamassa que dá para juntar tijolos numa construção anti-sísmica e depois embeber nela o polvo, com a ajuda de duas colheres de sopa, e depois mergulhar o preparado em óleo bem quente. Eu optei por poupar demasiado na farinha com medo que se notasse muito o gosto.
4. Em suma, pataniscas saíram, mas ninguém quis repetir e ainda sobraram uns quantos nacos de polvo