12/05/12

Será que a comida se estraga na Nikon D40?

Um gajo está uns dias sem vir aqui postar qualquer coisa e viram-lhe o Blog do avesso. 
O raio que os parta!, que são piores do que os tipos da ZON, que mudam os canais sem dizerem água vai a ninguém. Estilo: paga e não bufes!
Após o desabafo que se impunha, seguem-se as tradicionais fotografias de preparos que foram à mesa cá em casa nos últimos tempos, algumas das quais já tardavam demasiado tempo na Nikon, pelo que tenho algum receio pelo facto de as lambiscarias poderem ter ultrapassado o prazo de validade. :)))
Hoje não me apetece entrar em pormenores, nem tão pouco desfiar um rol de condimentos. Fiquem apenas sabendo que a carne de porco à Alentejana foi preparada a partir de um lombinho (leram bem: LOMBINHO) que cortei em cubos e deixei a marinar em vinho branco, louro, alho, sal, pimenta preta e colorau durante 24 horas). Acho que, no fundo, reside aqui o segredo de uma carne de porco que se pretende macia (para coisas duras de roer já nos basta o governo troykista do Steps Rabbit, Herbs & Paul Doors) e plena de sabores, que case bem com umas ameijoas, uns pickles (desculpem a falta de patriotismo, mas os nacionais sabem todos a... vinagre e, por isso, opto sempre pelos germânicos da Hengstenberg) e umas batatinhas fritas em cubos.
Dias depois, foi a vez de tratar de um tamboril que já tardava tempo de mais para o meu gosto no frigorífico. Eu nem sequer toquei na colher de pau (mentira: como se eu fosse capaz de não mexer naquilo que me vai entrar pela goela abaixo), mas verdade seja dita que apenas ditei normas e o resultado não podia ter sido melhor (na fotografia faltam apenas as ameijoas que se amancebaram com o tamboril mas, da espécie Zebra, revelaram-se pouco ou nada nada a fotogenias (o certo é que marcaram presença e emprestaram o seu sabor – e isso é o que importa!)

Para terminar, que a conversa já vai longa, aqui ficam os mexilhões com molho de natas, cogumelos, alho francês e chalotas que serviram de entrada para o jantar de hoje, bem regado com um  branco Paulo Laureano.


10/04/12

Cabrito assado no forno

Domingo de Páscoa, reza a tradição, o jantar cá em casa costuma ser cabrito assado no forno. Este ano, e apesar da maldita crise, felizmente o cabrito voltou a marcar presença à mesa.

Direi apenas que para cinco pessoas foi necessário meio cabrito com pouco mais de 3,5 kg. 

Quanto à receita, não tem segredo. Há apenas que temperar o cabrito com algumas horas de antecedência, regular o forno para 220°C, passada meia hora utilizar a função grill e ir virando e revirando os pedaços de cabrito. Com uma hora de forno juntam-se as batatinhas. 
A imagem corresponde a uma fase final da confecção, durante a qual ainda havia certos pedaços de carne que não estavam tostados.

 

30/03/12

Ensopado de borrego

Por costume, cá em casa o Borrego vem habitualmente à mesa sob a forma de costoletas grelhadas (de preferência do pé) ou de mão (por vezes, a pata não é desprezada).
Mas um destes dias decidi aventurar-me num ensopado e não me saí nada mal. Pedi ajuda ao Samuel (do talho Só Qualidade) que me cortou em cubos (cujo tamanho depois rectifiquei em casa) uma pata de borrego.
Após umas 4 ou 5 horas de marinada em vinha d'alhos, foram os cubos de borrego para dentro do tacho suar as estopinhas. Previamente alourados num fio de azeite, assim que os cubos de borrego se revelaram tostaditos, ajuntei-lhes um copo de vinho branco, o líquido da marinada e mais outro copo de água.Tapei o tacho para apurar a sauna e passada meia hora juntei as batatas novas. Piquei cubos de borrego e batatas, e quando achei por bem que estavam ambos os dois bem no ponto de caramelo, juntei pitada de salsa fresca picadinha, deixei apurar temperos, aromas e sabores e levei à mesa.
Ficou assim:

15/03/12

Açorda: uma questão de princípio

Fazia tempo que por cá não ia à mesa uma açorda de camarão. Diga-se, em abono da verdade, que não fui eu quem a confeccionou,... mas dei uma ajuda.
A propósito do título deste post, a verdade é que há uma questão de princípio a respeitar na preparação de qualquer açorda, seja ela de camarão, berbigão (óptima para acompanhar uns «jaquinzinhos») ou simplesmente de pão, alho, azeite e ovo: É IMPRESCINDÍVEL QUE O PÃO SEJA ALENTEJANO!!!
Dito isto, e como não fui o responsável por esta iguaria que em boa hora me assentou no prato, fico-me por algumas dicas e pelas imagens, só por si capazes de despertar – mesmo nos menos experientes na arte do fogão, dos tachos e das panelas – a vontade de preparar e saborear uma receita que prima pela simplicidade.
1 pão alentejano (desfeito em pedaços pequenos)
500 g de camarões congelados
GUARDA-SE A ÁGUA DA COZEDURA DOS CAMARÕES (não abusar no sal) para embeber o panito
3 dentes de alho bem picadinhos
Coentros qb, mas convém exagerar
Generoso fio de azeite
2 ovos
Esta açorda foi feita para dois, mas ainda sobrou para mais um no dia seguinte; sim, porque estamos em crise e há que saber aproveitar.
Vejamos o filme dos acontecimentos:
O panito embebido com a água de cozer os camarões

A açorda ao lume: azeite, pão, alho e coentros
Pronta a servir. Os mais puristas podem juntar
os ovos só depois da açorda empratada




14/03/12

Dom Feijão

Um destes dias, a conselho do meu amigo João Salgueiro, fui jantar em boa companhia ao Dom Feijão. A massada de garoupa estava bastante boa (embora eu consiga apurar mais o molho; é o problema de fazer grandes quantidades...), mas o que realmente me fascinou foi a descoberta de um tinto do Douro de primeiríssima qualidade que dá pelo nome de Crasto. Se tiverem oportunidade, experimentem.

06/03/12

O Japão em casa

Melhor, é impossível!!!
Sushi, sashimi, nigiri and so on!
Limitei-me a cozer os camarões como mandam as regras e a cortar manga e pêra-abacate conforme me pediram. 
O resto foi pura magia da Beniko Tanaka e do Donatello Brida. Depois deste jantar – que no Japão corresponde à festa das meninas (até aos 13 ou 14 anos, e não tenham maus pensamentos...) – até o Aya nunca mais voltará a ser o mesmo. 
Como não fui eu que confeccionei os 1001 preparados que foram para a mesa, não posso contar como tudo se passou. 
Por isso, limito-me a apresentar a reportagem fotográfica.
Acho que nem o ilustre Wenceslau de Moraes poderia imaginar uma fusão nipónico-luso-italiana tão magnífica como aquela que se concretou num jantar de sábado. Ficam apenas imagens para despertar as papilas gustativas dos incondicionais da cozinha do País do Sol Nascente.
   
À esquerda: camarões preparados para cozer.
À direita: camarões já cozidos. 




Como diz o Anthony Bourdain, uma faca bem afiada e um arroz no ponto, fazem um sushi. Da faca tratou o Vasco, do arroz cuidou a Beniko.


A preparar o atum.
E a tratar da dourada 








Os indispensáveis rolinhos Califórnia
 A criatividade da Beniko e do Donatello começou a ganhar forma

E os preparados nunca mais acabavam, conforme
se pode ver pelas imagens







A mesa ficou assim, mas ainda havia mais ágapes
no carrinho de apoio!!!

Verdadeiramente indiscritível! 
Todo o sabor do Japão à mesa.



Bisque de lagosta

Seja por falta de tempo ou de inspiração, ou simplesmente porque nada de novo há a acrescentar a este blog, por vezes passam-se semanas em que nem sequer o visito.
Hoje resolvi postar um conjunto de imagens de um bisque de lagosta que fiz a semana passada e que não me saiu nada mal. 

Quanto à lista de ingredientes:
1/2 lagosta
1 embalagem de cubos de tamboril da Pescanova
4 vieiras grandes cortadas em lâminas
Um bom fio de azeite
1 cebola (usei doce porque ando viciado neste tipo de cebola) bem picadinha
2 talos de aipo (finos e bem picados)
1 cenoura
2 colheres (de sopa) de polpa de tomate
1 dente de alho bem picado
1 copo de vinho branco (quanto melhor for a qualidade, melhor é resultado)
Água q/b
Sal e pimenta-preta moída na altura

Da próxima vez com certeza que ainda vai ficar melhor porque, entretanto, fiz um caldo de marisco e peixe (que já está no congelador) que esteve quase 2 horas em lume mais do que brando. Usei água de cozer camarões, cabeças e cascas dos ditos camarões mais peles, espinhas e «desaproveitamentos» de salmão; juntei uma folha de louro e pimenta-preta. Depois usei a chamada varinha-mágica, coei e o resultado ficou com tal aroma que apetecia comer logo ali; mas resisti e estou à espera da melhor oportunidade para recorrer ao caldinho.

Com isto perdi o fio à meada, ou seja, desviei-me do bisque. Num tacho deitei o azeite, a cebola, o aipo, a cenoura, a polpa de tomate, o alho, o vinho branco e igual quantidade de água. Deixei cozinhar durante vinte minutos. Usei a varinha mágica e juntei mais um pouco de água. Com o preparado relativamente espesso, juntei os pedaços de lagosta e os cubos de tamboril. Deixei reduzir um pouco e aproveitei para temperar com sal e pimenta. Seguiram-se as lâminas de vieira que deixei cozinhar por mais 5 minutos, findos os quais era chegada a hora de ir para a mesa.