11/04/13

Vitela guisada com espirais

A sogra ofereceu uma vitela que, ainda crua, quase se cortava com uma colher. Portanto, havia que tratar a matéria-prima com todo o cuidado, respeito e carinho. 
A verdade é que carne guisada nunca foi o meu forte, quer em termos de degustação quer, sobretudo, em termos de preparação.
Não pesei – coisa que não se deve fazer a uma prenda, como foi o caso, tal como ainda menos se pergunta o preço – mas calculo que devia ser 1 kg. Deu à vontade para o jantar de quatro pessoas e ainda sobrou para o almoço de mais uma.
Fiz assim: duas colheres de sopa de azeite e uma de manteiga para o tacho até esta última derreter. Depois adicionei a carne cortada em pedaços bem pequenos e deixei alourar ligeiramente. Polvilhei com farinha, juntei duas cebolas-doces picadas, dois dentes de alho e metade de uma lata de concentrado de tomate. Seguiram-se algumas rodelas de chouriço de carne do Fundão, uma cenoura cortada em brunoise, feijão verde e copo e meio de vinho branco. Eu queria que o molho ficasse espesso, e consegui. Quase ao fim juntei salsa, uma dose generosa de mostarda de Dijon e sal. O lume esteve sempre muito brando, de maneira que levou o seu tempito até que a carne ficasse no ponto desejado... tenra até mais não!


Entretanto, já perto do final pus água com sal e um fio de azeite ao lume para cozer a massa – optei por espirais, mas isso fica à vontade do freguês. Cozida a pasta, foi só juntar à carne e ficou assim:

05/04/13

Panna Cotta

Além do Californication, do True Blood, do No Reservations e do Bizarre Foods – já para não falar de todas as transmissões televisivas em que joga o maior clube do Mundo e arredores... o FCP, está bem de ver! –, o Masterchef Australia é dos pouco programas que me faz ficar colado à televisão.
As provas da caixa mistério, da invenção e as MasterClass são as minhas preferidas.
Assim sendo, fiquei logo a salivar e, ao mesmo tempo, bastante intrigado com uma Panna Cotta que prepararam num dos últimos programas.
Panna Cotta é coisa que faço com alguma regularidade cá na Pensão Estrelinha e sigo sempre receitas italianas, pelo que o resultado é sempre Bom.
Mas esta deixou-me deveras boquiaberto (fecha a boca para não sair asneira, nem entrar mosca!): 1.º não disseram as quantidades (mas isso qualquer aprendiz de feiticeiro ultrapassa); 2.º começa tudo por uma base de caramelo!!! 3.º é feita numa frigideira anti-aderente, quando eu faço num tacho. Nem sequer encontrei receita semelhante pela santa Internet.
Ora, cá o caramelo nunca tinha feito caramelo. Portanto, nada melhor do que experimentar! E não é que saiu bem?! Pelo menos encheu a casa de um aroma inebriante.
Agora, não sei se vos diga, se vos conte, se guarde o segredo só para mim ou se o escarrapache aqui por este espaço virtual.
O melhor mesmo é contar como fiz e propor-vos que experimentem.
A primeira coisa, é preparar tudo antes de começar: abrir a vagem de baunilha ao meio e raspar bem o conteúdo e reservar (como dizem os entendidos), abrir dois pacotes de natas, ter o leite à mão, derreter as folhas de gelatina.
E foi assim: açúcar branco e água para a frigideira – aí a minha sócia alertou logo: «Tu tem cuidado, que caramelo não é brincadeira!» Cuidado, acho que não é preciso, o que faz falta mesmo é muita paciência para estar sempre a mexer e remexer até que aquela rexuminga se transforme em caramelo (lume brando, para evitar desastres); assim que o caramelo apareceu, toca de botar as natas, a baunilha e não parar de mexer até voltar a levantar fervura. Chega então a altura de juntar o leite (metade da quantidade das natas) um pouco de açúcar e a gelatina. Continuar a mexer até que a gelatina desapareça por completo.
Está pronta a Panna Cotta! Verter o preparado para formas previamente molhadas e levar ao congelador 10 a 15 minutos para um rápido arrefecimento. Depois passar para o frigorífico. Desenformar e servir acompanhado de mirtilos e folha de hortelã.

     

01/04/13

Borrego (Parte II)

Conforme prometido no Facebook, aqui fica a conclusão do borrego. Apenas em imagens, porque a receita já a deixei no post anterior. A idade não perdoa e leva-nos a cometer alguns erros, que neste caso foi um esquecimento. Ontem, no supermercado, pensei em comprar chalotas para acompanharem o borreguito, mas lembrei-me de que ainda tinha em casa umas belas cebolas-doces que, com certeza, casariam na perfeição com o prepara. Ora bolas! Nem chalotas, nem cebolas-doces... Mas o importante mesmo é que o borreguito se deixou comer e ninguém refilou com o meu esquecimento.
Para abrir a procissão, achei por bem que o mestre-sala fosse este ENIGMA da Dom Teodósio. Bom, agradável, mas ainda com muito para apurar para chegar a outros alentejanos de melhor preço mas com muito mais aprumo, como Pêra Doce ou Paulo Laureano.



31/03/13

Borrego

Devia ser cabrito, mas será borrego. 
Sinais de tempos de crise? Em parte, mas a verdade é que quando pedi ao Vasco, o dono do talho onde me abasteço, que me guardasse meio cabrito, a resposta foi: «Já não tenho, vendi tudo.» O Samuel ainda propôs que eu usasse a Daisy (a cadela cá de casa) como cabrito, mas achei que a ideia não era das melhores. 
Assim sendo, lá teremos que nos remediar com o borrego. Já está devidamente temperado, acamado e à espera de ir para o forno.

Para 5 pessoas: 
3,5 kg de borrego
2 copos de vinho branco de boa qualidade
Sumo de meio limão
2 dentes de alho
colorau
sal
pimenta-preta moída na altura
fio de azeite
1 colher/sopa banha de porco-preto
1 folha de louro

Ora, foi precisamente a folha de louro que me levou a postar esta receita. Como já não tenho folhas de louro das maravilhosas terras do Minho, tive que o ir comprar e, azar o meu, optei pelo Continente
Eu juro que não queria comprar trufas, lagosta, lavagante, champagne francês ou qualquer outro produto de luxo! Imaginem quanto custa o quilo de um louro sem cheiro nem sabor?!... 64.50 € !!!
Isso mesmo! Incrível, o tio Belmiro vende louro a preço de droga; louro que se arranja à borla em qualquer parte do Minho – o meu sogro arranjou-me um excepcional no parque de Paredes de Coura, e o meu tio Manel (tio por empréstimo, porque é tio da minha mulher) também me ofereceu uns ramos colhidos cheios de folhas apanhados directamente de um loureiro em Mentrestido, além de tomilho, alecrim, sálvia e outras ervas de cheiro. 
É assim que o borreguito vai para o forno.
A meio da assadura irão juntar-se-lhe umas lindas batatinhas
 
Se tiver tempo e paciência, depois anexo aqui as imagens finais do preparado. 
    
  

02/03/13

Tarte de Limão merengada

Quem ler os últimos posts pensará que entrei de licença sabática.
Quem me dera! Mas a verdade é que continuo a fornecer a maior parte das refeições cá na Pensão Estrelinha. 
Ainda hoje o jantar foram patas de pota acompanhadas por bróculos e batata-doce assada no forno recheada com alheira de porco-pretofoi uma experiência que resultou na perfeição!
Para rematar, a sócia brindou-nos com uma deliciosa tarte de limão merengada.


Como não fui eu que confeccionei, deixo apenas a fotografia para se deliciarem.  

16/02/13

A Índia à mesa

De uma maneira geral, sou eu que me encarrego de levar caril para a mesa cá na Pensão Estrelinha. Porém, há dias de sorte, como dizia o cauteleiro até escorregar na casca da banana... (cala-te boca qu'inda sai disparate!). 
Recomeçando: há dias de manhã que um gajo à tarde não devia sair de casa à noite. Mas também há daqueles dias em qu'um gajo trabalha de manhã, vai para a piscina à tarde e regressa a casa à noitinha e ... como que mudou de fuso horário porque se depara na mesa com iguarias às quais nem sequer o Vasco da Gama teve direito quando pôs o pé em terras da Índia. (Dizem as más línguas que foram os Portugueses, com certeza no tempo do Afonso de Albuquerque, que introduziram o caril na Índia e o Tempura no Japão...) Mas adiante.
Metida a chave à porta, os aromas adocicavam o corredor, tudo porque a sócia resolveu deitar mãos à obra e preparar uma refeição daquelas que não se esquecem tão depressa.
Não vou contar pormenores das receitas, mas tão-só limitar-me a contar aquilo que veio para a mesa:
Umas apas 


para acompanharem um Jhinga Mole cozinhado com todo o coração e carinho que se possa imaginar. Apesar da acidez do limão, sentia-se bem o mel que derretia o citrino insinuante.

Para rematar... o doce das sete camadas, aquela sobremesa cujo condimento especial é a paciência.
Uma Bebinka de comer e chorar por mais. 

Tal como sucede com muitas outras iguarias indianas, tanto o Jhinga Mole como a Bebinka ainda estavam melhores no dia seguinte.
Experimentem porque vale bem a pena e, além disso, a gastronomia indiana tem muito para oferecer para lá do conhecido caril
 
 

27/01/13

Patas de pota

Penso que chamam a este tipo de confecção «à lagareiro»; eu fiz à minha maneira: uma embalagem com quatro patas de pota, cozidas durante 40 minutos em panela de pressão com cebola inteira, rolha de cortiça e após devidamente «assustadas». Superstição, ou não, dá sempre bom resultado e é garantia de que os cefalópodes saem sempre macios.
Dez batatinhas a assar no forno, em cama de alho e azeite e temperadas com sal e pimenta-preta. Depois de cozidas, as patas de pota foram fazer companhia às batatinhas durante mais 15 minutos com o forno a 200°C e na função grill.
A única foto que tirei do acontecimento foi a do rótulo deste Chardonnay made in USA/Califórnia que acompanhou o repasto.
Apesar de algo distantes do sabor de um bom polvo, as patas de pota recomendam-se, o mesmo não se poderá dizer em relação ao vinho, demasiado afeminado e facilmente superado por uma garrafa de BSE, João Pires ou Loios branco. O melhor mesmo, seria um verde minhoto, melhor ainda de produção artesanal. Mas esse recebi-o de um Amigo, daqueles que não imaginamos encontrar na Internet e que existem mesmo! Um destes dias eu posto aqui uma foto do rótulo só para fazer pirraça!