29/12/20

Fricassé... Quem se lembra?


Faz tempo que não venho por aqui espiolhar o meu blog, mas tal não significa que tenha abandonado o atelier de tachos, panelas, sertãs, colheres de pau e demais utensílios, como facas, sempre bem afiadas, por exemplo.


Hoje foi a vez de preparar um fricassé.
 

Era prato tão típico dos idos de 1970-80, com aquele toque de «Je ne sais pas quoi, mais j'adore!»... que desapareceu da table portugaise... quiçá em prol de refeições congeladas ou prontas a consumir por aqueles e aquelas infelizes que nunca apuraram as papilas gustativas.

Só posso dizer que a pitorra cá da Pensão Estrelinha adorou e comentou: «É muito saboroso e tem um gosto completamente diferente dos outros preparados cá da casa!»

Estes 61 que me pesam às costas já não perdoam e quem melhor para avivar memórias do que o site da Clara de Sousa (https://claradesousa.pt/) que, por seu turno, foi buscar ensinamentos ao inesquecível Mestre Silva e à sua indispensável Teleculinária?...

Fotografias não há (ainda restou um pouquinho no tacho, mas não faz jus ao preparado). Porém, o resultado foi melhor do que a encomenda.

Um truque da minha autoria: usei frango do campo (40 min de confecção, no mínimo), a meio da cozedura retirei um bocado de caldo e deixei arrefecer. Depois foi só juntar às gemas e ao sumo de limão.
Foi tudo para a mesa ainda a fervilhar. 

05/07/20

Arroz de Limão com Polvo e Lingueirão

Já há muito tempo que não postava nada de novo aqui na Casa de Pasto, empresa subcontratada da famosa Pensão Estrelinha.
Verdade se diga, também não se trata de uma novidade e, tão-só, de uma receita confeccionada com outro ingrediente, desta vez o polvo, casado na perfeição com lingueirão.

Para resumir, uma dose para 6 pessoas:
Muito, mesmo muito azeite (6 colheres de sopa), no fundo do tacho. Aquecer bem o azeite e deitar 2 dentes de alho bem picadinhos. Deixar os marafados ganharem cor. Juntar uma cebola, igualmente picadinha fina. Estrugir a dita cuja cebola até ficar transparente. Juntar copo e meio de arroz (carolino de preferência – a Noélia diz que não lava o arroz, mas cá na Pensão Estrelinha estou proibido de cometer tal heresia) e envolver bem no azeite. Hidratar o arroz com um bom caldo de peixe ou, à falta deste, com água e um caldo daqueles usados por quem não sabe ou não quer perder tempo a fazê-los... Espremer o sumo de um bom limão sumarento para cima do preparado, mais dois pedaços de casca do dito limão. Acrescentar um dente de cardamomo ou uma boa colher de sobremesa de cardamo em pó. Não esquecer, como é evidente, sal e pimenta-preta, moída na altura.
No entrementes, cozer o polvo na panela de pressão (30 a 40 minutos desde que começa a apitar) e saltear o lingueirão numa sertã com um fundo de azeite e alho. 

O arroz está quase no ponto, só resta cortar o polvo e o lingueirão (previamente retirado das conchas) e despachá-los para o tacho.
Remate final: um bom pé de coentros picados grosseiramente, remexer e está pronto a servir.