29/06/11

Perna de borrego

Não sei porquê, mas prefiro a mão do borrego à perna, ou pata – como lhe quiserem chamar –, talvez porque a carne da mão é mais macia e subtilmente mais saborosa. Acontece que hoje no talho do Samuel, do Luís e do Vasco – o tal cuja mãe faz um pão de comer e chorar por mais – a única mão disponível pesava apenas 940 g. A crise aperta, mas a barriga do pessoal cá da pensão não tem culpa. Sempre prestável, o Samuel, cortou uma extremidade à dita cuja perna (do borrego) e conseguiu os 1,300 Kg que me garantem que ninguém fica a roer os ossos.
Chegado a casa, depois de uns 1100 m na piscina, olhei para a perna, ela olhou para mim e perguntou-me: lembras-te do vinho de gengibre de que o Carlos Madeira te falou? Respondi que sim, pois ando desejoso por experimentar. Como só se arranja em terras de Sua Majestade Isabel II, tive que improvisar. Um copo meio cheio de vinho branco seco e uma boa colher de chá de gengibre em pó. Experimentem, mexam bem que até parece um vulcão em lenta erupção!!! Com este preparado reguei a perna, do borrego, e não a minha. A seguir vieram os temperos costumeiros. Aguardei uns 20 minutos enquanto o forno pré-aquecia (fica sempre bem dizer isto em qualquer receita) e lá para dentro que se faz tarde. Ao passar a meia-hora de sauna, mudei o forno para a função grill, a fim de tostar a perna (a do borrego, e não a minha que este ano 'inda não pus os pés na praia). Ao fim de uma hora, achei por bem virar a perna, para o bronzeado ficar uniforme e deixei estar mais 20 minutos.
Saiu assim e foi para a mesa com umas batatas fritas tipo rústicas acompanhadas por uma ratatouille que não foi de minha criação, mas que estava bastante boa.




Ingredientes para 4:
1 perna de borrego com 1,3 kg
1/2 copo de vinho branco seco + 1 colher de chá de gengibre moído
o mais difícil de tudo: um pauzinho de alecrim colhido pelo meu (é emprestado, mas ele não se chateia) tio Manuel em terras do Minho. Empresta ao assado um aroma que nem vos conto!
1 folha de louro
1 dente de alho cortado em lâminas
sumo de meio limão
colorau
sal e pimenta-preta (moída na altura)
1 bom fio de azeite

Depois, quando achei que estava no ponto, ainda reguei a perna (a do borrego, e não a minha!) com banha de porco preto e deixei-a de castigo mais 10 minutos no forno, com este já desligado mas a mandar calor suficiente para as gorduras se entranharem umas nas outras.

O acompanhamento foi a tal Ratatouille, batatas fritas rústicas (cortadas em cubos, triângulos e outros padrões geométricos, mas com casca) e salada de alface.

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