05/07/20

Arroz de Limão com Polvo e Lingueirão

Já há muito tempo que não postava nada de novo aqui na Casa de Pasto, empresa subcontratada da famosa Pensão Estrelinha.
Verdade se diga, também não se trata de uma novidade e, tão-só, de uma receita confeccionada com outro ingrediente, desta vez o polvo, casado na perfeição com lingueirão.

Para resumir, uma dose para 6 pessoas:
Muito, mesmo muito azeite (6 colheres de sopa), no fundo do tacho. Aquecer bem o azeite e deitar 2 dentes de alho bem picadinhos. Deixar os marafados ganharem cor. Juntar uma cebola, igualmente picadinha fina. Estrugir a dita cuja cebola até ficar transparente. Juntar copo e meio de arroz (carolino de preferência – a Noélia diz que não lava o arroz, mas cá na Pensão Estrelinha estou proibido de cometer tal heresia) e envolver bem no azeite. Hidratar o arroz com um bom caldo de peixe ou, à falta deste, com água e um caldo daqueles usados por quem não sabe ou não quer perder tempo a fazê-los... Espremer o sumo de um bom limão sumarento para cima do preparado, mais dois pedaços de casca do dito limão. Acrescentar um dente de cardamomo ou uma boa colher de sobremesa de cardamo em pó. Não esquecer, como é evidente, sal e pimenta-preta, moída na altura.
No entrementes, cozer o polvo na panela de pressão (30 a 40 minutos desde que começa a apitar) e saltear o lingueirão numa sertã com um fundo de azeite e alho. 

O arroz está quase no ponto, só resta cortar o polvo e o lingueirão (previamente retirado das conchas) e despachá-los para o tacho.
Remate final: um bom pé de coentros picados grosseiramente, remexer e está pronto a servir.

11/05/19

Lombinho de porco

Isto mais parece cozinha para totós, pois conseguir um bom lombinho de porco é das coisas mais simples deste mundo.

Vamos aos ingredientes:


1 lombinho de porco
2 dentes de alho, laminados
1 bom copo de vinho branco
sal
pimenta-preta moída na altura
colorau
bom fio de azeite a envolver o lombinho
Banha 
Alecrim

Envolve-se o lombinho nos temperos, deixa-se repousar pelo menos umas duas horas, após as quais se leva ao forno, a 200° C por meia-hora a 45 minutos.
Neste caso usei uma banha que comprei no Aldi e cujo rótulo dizia ser «Clássica», mas que de clássica pouco tem, pois contém cebola frita e é dura como um raio! Apesar de saborosa e muito aromática.
O acompanhamento fica ao critério de cada um. Arroz branco, batatinhas assadas, castanhas assadas, esparguete, couve-flor etc.

Ficou assim a marinar até ir para o forno.





30/04/19

Favas

As minhas favas não têm nada de especial,... são apenas as melhores do Mundo e arredores!
Modéstia à parte, estou farto de experimentar favas guisadas em vários locais, e nenhumas chegam aos calcanhares das minhas.
E as minhas são tão fáceis de fazer!
Imprescindível é o tacho de ferro fundido Le Creuset, que anda cá pela Pensão Estrelinha desde o tempo das vacas gordas, para a confecção das mesmas.
Eu gosto mesmo é de favas, não desfavorecendo nos demais acompanhamentos (entrecosto, chouriço de carne, moura e chouriço preto).
Bom fio de azeite alentejano no fundo do tacho e toca de fazer o entrecosto suar as estopinhas até quase tostar em lume esperto. 
Juntei-lhe depois uma cebola bem picada, três dentes de alho também bem picados e mais um copo de vinho branco. Esperei que ficassem no ponto e juntei então os chouriços (todos produtos excelentes de marca branca Pingo Doce), mais dois copos de água. 
Chegou pois a vez de as favas irem para o tacho, e estas não eram congeladas, mas frescas, compradas no talho do Vasco e descascadas por mim.
Tratei então de temperar com sal e pimenta-preta moída na altura.
Não tenho por hábito ir saboreando os temperos, mas as favas parece que chupam o sal e nunca estão no ponto certo, por isso, de quando em vez, tenho mesmo de testar o sabor.
Quando as favas começaram a ficar tenrinhas, abrandei o lume e juntei-lhes uma boa pitada de coentros grosseiramente picados, mais umas quantas folhas de hortelã.
Tempo contado passado à beira do tacho: cerca de 1 hora.

Lista de ingredientes para duas pessoas que gostem mesmo de favas (mais uma refeição para o dia seguinte):

2 kg de favas
1/2 chouriço de carne (o de Ponte do Lima é o melhor!)
1/2 moura
1/2 chouriço preto da Beira Alta
Coentros
Folhas de Hortelã
Sal e pimenta-preta q.b.
Azeite
1 copo de vinho branco

Fizeram-se as favinhas acompanhar por um Arrábida Azul tinto reserva de 2016, magnífico!

E terminou o jantar com um cafézinho expresso Buondi Extreme, que à Pensão Estrelinha ainda não chegou a moda das maquinetas de cápsulas!

E aqui ficam as fotografias do preparado e do finalizado:




 



29/04/19

Mercado dos Vinhos: Cascais

Dia solarengo que convidava a um passeio.
Hoje não estive ao fogão e fui com a sócia da Pensão Estrelinha mais o Doutor até ao Mercado dos Vinhos, em Cascais.
Muitas novidades e poucos rótulos conhecidos.
Diga-se, de passagem, que não tenho as papilas gustativas apuradas/ensinadas para apreciar devidamente qualquer vinho que seja: gosto, gosto; não gosto, não gosto.
E os meus gostos vão, sobretudo, para os vinhos do Alentejo.

Azar o meu: comecei por provar um branco cujo aroma me agradou, mas com final de boca áspero e demasiada acidez (isto é só para botar faladura, pois a verdade é que o raio da mistela cheirava bem, mas era azeda como rabo de gato!).
O Doutor, com experiência comprovada nestas andanças de provas, mas também adepto ferrenho dos Douros, ofertou-nos um Quinta do Valdalágea... Excelente, por aquilo que provei.
Não contente, com a demonstração, tornou a ir lá dentro e trouxe-nos um Pedro Molinas.
As duas botelhas já cá moram na adega da Pensão Estrelinha à espera de manjares dignos de as acompanharem.
No regresso a casa, pela Marginal como mandam as regras, parámos na Parede e lanchámos no Eduardo das Conquilhas... conquilhas já não havia, mas marcharam umas belíssimas ameijoas, mais uns camarões e uma sapateira.


 



28/04/19

Frango com limão e natas

O título da receita deveria ser antes: «Frango trabalhoso», pois deu demasiado trabalho a confeccionar e tempo ao lume para o meu gosto... mas valeu a pena!
A receita não é minha, e sim de um Blogger que sigo, sempre para aprender muita coisa da arte dos tachos e das panelas (https://outrascomidas.blogspot.com/).
Sábado à tarde, visita ao talho do Vasco para comprar um frango do campo, meio pão de Mafra, cozido a lenha à moda antiga e um queijinho de Nisa.
A ideia era fazer o frango corado, já devidamente cortado em pedaços bastante pequenos, mas, depois de consultar várias receitas, achei-as todas muito descoradas.
Encontrei então aquela receita que me pareceu a melhor solução. 
Surpresa inicial: o frango começa por ser cozinhado sem com mais nada!!! 
No original, recomenda-se um wok (que já tive, mas já não tenho) ou uma frigideira grande. Ora, como o frango (1,5 kg) não cabia na frigideira maior que temos cá na Pensão Estrelinha, achei por mim que ficaria bem acondicionado no meu tacho de ferro (https://www.lecreuset.pt/). E ficou, e largou gordura e cozinhou-se nos seus próprios untos durante uma boa meia hora, sempre a virar e a revirar para não pegar ao fundo do tacho que dá muito trabalho a lavar. 
Quando começou a ganhar aquele tom tostado, apaguei o lume e fui a correr ao Pingo Doce (https://www.pingodoce.pt/) comprar os ingredientes que me faltavam: coentros, cogumelos Portobello e natas (sem glúten, por imperativo de uma das residentes da Pensão Estrelinha). De caminho, uma garrafa com um veado (https://www.vivino.com/canto-x-monte-da-contenda-tinto/w/3809313?year=2014) riu-se para mim e entrou para o cesto das compras a fim acompanhar o frango.
Regressado a casa, espremi o sumo a 3 limões e piquei bem picados outros tantos dentes de alho que foram dar banho ao frango, mais respectivos temperos de sal e pimenta. Lume brando e toca de deixar o frango saborear a limonada durante cerca de 15 minutos.
Foi a vez de cortar a limonada com dois pacotes de natas e os cogumelos. De novo lume brando, deixar levantar fervura e acrescentar uns coentros grosseiramente picados. Nos entrementes, liguei o forno a 220° C. Depois mudei o frango do tacho para uma travessa e levei ao forno durante mais cerca de 20 minutos, até ganhar um bronzeado que me agradou.
Acompanhámos com esparguete e espinafres salteados em azeite e alho.
Resultado final: muito bom!

Peço desculpa pela fotografia, que não faz jus ao frango.



30/03/19

Massada de Polvo com Camarão

Sexta-feira, pelas sete da tarde, hora de ir ao supermercado.
À sócia da Pensão Estrelinha apetecia-lhe uma massada de peixe... mas, peixe a sério, é coisa que só se compra na Banca da Bela, lá para as bandas de Alvalade... Inda por cima a tais desoras! 

Toca de ir rapidinho ao Pingo Doce do Arco do Cego e sacar dos congelados o mais parecido com um polvo que por lá se encontrava.
Chegado a casa: polvo a descongelar, mais tirar o bico de papagaio, caso contrário fica duro e sabe mal. Panela de pressão com ele, mais os feitiços que me ensinaram para o deixar macio... que não conto, pois que são meus. Só digo que há que afugentar o polvo!

Cebola bem picadinha, mais alho picado tal qual a cebola, umas rodelas de chouriço, dois tomates maduros, devidamente pelados e picados, aos quais acrescentei um pacote de polpa de tomate, mais umas quantas tiras de pimento vermelho e, por fim, com autorização da Joana, duas malaguetas bird eye. Foi tudo para o meu tacho preferido a ganhar sabores e aromas.
Polvo na panela, ingredientes a suarem (as tiras de pimento foram as últimas a entrar na sauna).
Foi trabalho de sincronia, pois precisava da água de cozer o polvo para com esta cozer as massas de cotovelo.
Refogada a cebola e demais acompanhantes, juntei-lhes uns camarões. Piquei coentros e casei-os com umas quantas folhas de hortelã e foram para o tacho.
Chegada a hora, copo de vinho branco e caldo de peixe para a cebola e seus amigos; mais água do polvo e boa pitada de sal. Quando já tudo fervilhava, toca de deitar as massas.
Enquanto isto, cortei o polvo em pedacinhos, que acabaram por se juntar ao festim faltavam 4 minutos para o final da cerimónia.

Lista de ingredientes, para 4:

1 kg de polvo

8 camarões grandes
2 cebolas
2 dentes de alho
1 copo de vinho branco
Azeite para cobrir o fundo do tacho
2 Tomates
1 pacote de polpa de tomate
Folhas de Hortelã
2 Malaguetas pequenas
1/2 Pimento vermelho, em tiras grossas
1 Raminho de coentros
Folhas de hortelã
4 a 5 rodelas de bom chouriço, picadas
Sal q.b.
Caldo de peixe

Imaginação e diversão


 

29/11/18

Ossobuco

Não é a primeira vez que aqui vem parar um ossobuco.
Mas este saiu delicioso e merece repetição:
Não é imprescindível, mas dá bastante jeito ter uma panela de pressão.
Um bom fio de azeite no fundo da panela de pressão.
Uma cebola grande cortada em meias rodelas, mais dois tomates cortados em quartos e três dentes de alho esmagados.
Deixam-se ganhar cor e libertar aromas e líquidos.
Entretanto, passei os dois bocados de ossobuco por farinha (operação essencial para manterem o tutano, que acaba por ser o rei da manja).
Quando achei que a cebola e restantes acompanhantes estavam no ponto, coloquei os dois pedaços de ossobuco por cima, mais uma cenoura grande cortada em cubos (brunoise, para ficar mais à la chef) e uma folha de louro. Reguei tudo com um bom copo de vinho branco e juntei uma dose generosa de manteiga, mais os devidos temperos de sal e pimenta-preta moída na altura. Deixei levantar fervura, tapei a panela de pressão e esperei que passassem 40 minutos.
No entrementes, descasquei batatas para fazer o puré de acompanhamento.
O resultado final não podia ter sido melhor: carne a desfazer-se na boca, tutano saboroso até mais não e um puré de batata (não fui eu que me encarreguei da preparação do mesmo) digno de acompanhar tal iguaria.