03/10/26

Fígado de tamboril

Mais uma longa temporada sem publicar nada de novo, porque nada de novo houve a acrescentar.

Mas hoje há novidade: fígado de tamboril grelhado, temperado com salicórnia, em cama de espargos.

Foi a sócia da Pensão Estrelinha quem tratou dos espargos. Quanto ao fígado de tamboril, nada mais fácil. Depois de bem lavado, foi temperado com salicórnia e levado a grelha numa frigideira anti-aderente. Quando estava no ponto, foi fatiado e empratado.

Nada mais fácil.


 


 

09/04/25

Cozido de grão à Alentejana

Vejo agora que já não vinha por aqui fazia bastante tempo.

Hoje, ou melhor, ontem deu-me para aqui (pois comprei a maior parte dos ingredientes de véspera).

Andava para experimentar o famoso cozido de grão alentejano e foi desta, mas dá um bocado de trabalho.

A sócia encarregou-se de cozer o grão e eu fiz o resto seguindo as indicações deste site que considero excelente: https://tradicional.dgadr.gov.pt/pt/

Então, quanto a carnes abasteci-me de entremeada (cortada grossa), duas patas de frango com peito (grandes), uma orelha de porco, um chouriço de carne e uma farinheira.

Uma cebola, dois dentes de alho, duas cenouras, 250 g de feijão verde, três batatas, uma folha de louro e hortelã-pimenta. Além do grão, como é evidente.

A orelha e a entremeada foram a cozer durante 45 minutos em água com sal, folha de louro e folhas de hortelã. O frango entrou a meio da cozedura e os enchidos quando faltava um quarto de hora (atenção, a farinheira cozinha muito depressa e depois pode ficar mole).

Entretanto, um fio de azeite no tacho, a cebola, o alho e a cenoura, depois o feijão verde e, por fim, a batata. Tudo regado com as águas de cozer as carnes e o grão.

Depois foi juntar o grão e as carnes, envolver bem e rectificar temperos de sal, pimenta preta moída na altura e cominhos.

Ficou assim:

 



27/11/24

Pato assado no forno

Hoje o jantar da Pensão Estrelinha foi um remendo bem remendado.
Saí à procura de uma perna/pata de peru, mas deve ser coisa em vias de extinção! Não encontrei em lado nenhum nos 3 supermercados que tenho aqui à beira de casa!!!
Como precisava de alguma coisa para casar umas
batatas doces que tinham ficado esquecidas no cesto, mas ainda boas para se deixarem comer, achei que este patito seria uma boa opção.

E foi!
Depois de devidamente condimentado, levou 45 minutos no forno a 220° C.
A minha neta Emma, a mais nova comensal da Pensão Estrelinha aprovou e até repetiu.
Ficam as imagens para ilustrar a iguaria.






25/09/24

Costelas de vitela no forno

Para memória futura, porque a minha já começa a falhar.
Foi receita apanhada de um daqueles programas de televisão durante a época do Verão (não me recordo do canal).

Cá na Pensão Estrelinha é famoso o arroz de costelas da sócia, mas agora decidi experimentar esta receita – esqueci-me de lhe pedir que mandasse cortar as costelas em pedaços no talho. Vamos lá a ver como ficam...

Têm de ficar a marinar durante pelo menos umas 8 horas.

A marinada consta dos seguintes ingredientes:

1 cebola picada

1 pimento vermelho

Sumo de uma laranja

Sumo de um limão

Rodelas de laranja e de limão

Mostarda

Vinho branco

Azeite

Mel

O «chef» da peça esqueceu-se do sal!!! Mas eu usei.

Tapa-se com folha de alumínio e vai ao frigorífico. Depois levam-se as costelas ao forno durante pelo menos 2 horas a 150° C, também tapadas com a folha de alumínio.

Para acompanhamento tenciono: grelos salteados, batata assada e, talvez, arroz de feijão. Tudo temperado com uma redução do molho das costelas.

 

 
 
Após 3 horas no forno, ficaram assim: tenras e saborosas como eu nem sequer imaginava! Faltaram as batatas assadas devido ao adiantado da hora. Atenção que largam muito molho, que depois deve passar por uma boa redução.
 

 

 

18/08/24

Bavaroise de pêssego

Só para marcar presença no blog e sem tempo para a receita, aqui fica uma sobremesa leve e de preparação relativamente fácil. Mas é preciso prepará-la de um dia para o outro.

 



24/03/24

Coreano em Arroios

Era para ser no Dia do Pai, mas está fechado às terças-feiras.

Assim, foi no sábado que fomos jantar ao Han Table Barbecue, um restaurante coreano aqui perto de casa.
A experiência foi bastante boa e recomenda-se! 

Também foram de grande ajuda as dicas da Joana, já habituada a tais refeições por terras do País do Sol Nascente.


Quanto às folhas de alface servirem para enrolar carne, lulas e camarões, isso já eu sabia de há muitos, mesmo muitos, anos quando jantei em Paris num restaurante vietnamita. 

Mas a Joana explicou a utilidade dos restantes utensílios que nos são colocados na mesa: tesoura, para cortar os pedaços maiores de carne, a fim de serem divididos; pinça, para virar alimentos que se agarram facilmente à chapa e... pauzinhos de metal pois, caso fossem de madeira, ardiam na chapa!

Apenas duas notas menos positivas: a música, num volume demasiado alto para o meu gosto e que não cria ambiente nenhum, e os assentos que, pelo seu estado decadente, parecem ter sido importados directamente da Coreia do Norte! 





18/12/23

Bouillabaisse é boa, mas esta ainda é melhor!

A receita não é minha, mas de Nigel Slater, e foi publicada no The Guardian em Março de 2008. Foi a minha filha mais velha quem me aguçou o apetite e me levou a experimentar.
E digo que é de comer e chorar por mais!
Usei na altura duas boas postas, uma de corvina e outra de garoupa. Por acaso, aquando da confecção, tinha no congelador um caldo de marisco preparado por mim, mas pode ser substituído por um caldo Knorr de peixe ou de marisco.
As enxovas e a laranja são indispensáveis.
 

Para acelerar a confecção, a «cama» pode ser feita com umas fatias de bom panito alentejano.
Segue-se a receita em inglês:
 

Never mind the bouillabaisse

Fish stew needn't cost a fortune, and if you pick sustainable varieties it can be guilt-free, too. Nigel Slater hooks an alternative to the Sunday roast

I have a way of starting off a fish stew that I thought I would pass on. I put a couple of timid splashes of ordinary olive oil in a fairly deep cast-iron pan, then drop in six anchovy fillets rinsed of their smelly oil and three chubby cloves of garlic, sliced as thin as paper. To that I add a whole bay leaf or sometimes two, a curl of orange peel and a couple of whole sprigs of thyme. I push the anchovies and garlic and woody herbs around in the warm oil with an old wooden spatula, then stand aside and give the anchovy time to dissolve to a sticky paste and the aromatics the chance to warm up. This is the point at which the base flavour of the soup is set - the backbone on which all the other stuff will hang. It gives the stew bigger balls than the usual mimsy kickoff with gently sweated onion or leek.

Once the anchovies have melted, I carry on with a glass of white wine or even dry sherry, let it bubble down a bit, then continue in a more typical fashion, tipping in a tin or two of Italian tomatoes, and any fresh ones knocking about the house and in need of a home. As they come slowly to a bubble I mash them down into a red pulp with the back of my spatula.

There are those who argue that we shouldn't be eating any fish at all. Then there are those who stick to the surprisingly large list of acceptable fish permitted by the Marine Conservation Society. This gives us a shopping list that includes the gurnard, pollack and rope-grown mussels I have in my bag, but not the eel that I picked up by mistake. I'm sorry, I wasn't thinking. (Actually I was, just not about the job in hand.) While not the cheapest fish supper you could sit down to, four vast bowls of steaming piscine gorgeousness will soon be on the table for less than the price of a decent roast. And this is Sunday lunch.

The sauce reduces to a thick, rust-coloured slurry that would be even more interesting if I had some saffron, but I don't. This is not the luxury version. It is now, when the sauce has reached the point that it begins to splutter and threaten to catch on the pan, that I lower in the fish with the firmest flesh (the illegal eel), followed five minutes later by the softer pieces, cut into chunks slightly too big for your spoon (they will shrink a little in the heat). I let things putter away gently till the fish is tender.

Last to go in are the mussels, which, in the three or four minutes it takes for their shells to open, will introduce more flavour than the rest of the fish put together. They will also bring with them more liquid, successfully turning the sauce into a thick soup-stew.

This is where I could leave things. But I want to make it go just that bit further than usual, so I make a rough paste of chillies and coriander to spread on to rounds of bread to float on top and then dunk down in the fishy depths with our spoons. Something that will gradually weave through the broth as we dip in, sending out little waves of heat and freshness throughout our supper.

 

A fish stew

Serves 4

3 large cloves of garlic

2 tbsp olive oil

6 anchovy fillets

a 5cm curl of orange peel

2 bay leaves

3 sprigs of thyme

a glass of white wine or dry sherry

400 g can of tomatoes

400 g can of crushed tomatoes, or fresh tomatoes

500 ml fish or vegetable stock

approximately 400g of assorted fish per person (pollack, gurnard, etc)

24 mussels

 

For the toasts

8 thin slices of baguette

2 large, ripe chillies

a small bunch of coriander

4 spring onions

Peel and finely slice the garlic and cook in a deep pan with the oil, anchovies, orange peel, bay and thyme till the garlic is golden and the anchovy has dissolved. Pour in the wine, boil rapidly for a minute or two, then add the tomatoes and the stock. Bring to the boil, then simmer gently for 20 minutes. When the sauce is thick and slushy, lower in the fish, firmest first. Then, once the fish is opaque and tender, add the mussels. Cover with a lid and, when the mussels open, serve with the toasts tucked among the fish.

To prepare the toasts, toast the bread. Seed and very finely chop the chillies, the coriander and the spring onions, and mix together. Divide the mixture over the toasts.


06/12/23

Bacalhau com espinafres

Há mais de um ano que não punha os pés nesta Casa de Pasto, mais conhecida por Pensão Estrelinha!


Esta receita é do estilo «Cozinha para Totós».

Para duas pessoas:

1 posta de bacalhau (alta de preferência) cozida previamente até lascar bem. Aproveitar um pouco da água da cozedura. Depois de cozido, deixar arrefecer e lascar e espinhar bem o bacalhau.
2 pacotes de espinafres frescos (estes eram do Pingo Doce e bastante bons) 
1 lata pequena de feijão frade
1 ovo cozido e laminado
1/2 cebola grande cortada em meias luas
1 dente de alho bem picado
1 generoso fio de azeite (está caro, mas é imprescindível!)
Salsa
pimenta-preta moída na altura
Sal q/b
Broa de milho esfarelada grosseiramente.

Uma sertã com o fundo bem coberto de azeite. Junta-se a cebola até ficar translúcida. A seguir os espinafres mais um pouco da água de cozer o bacalhau e o dente de alho. Tapa-se a sertã e deixam-se suar bem os espinafres. Junta-se o feijão frade e envolve-se bem. Seguem-se as lascas de bacalhau e as lâminas de ovo cozido. Apuram-se temperos e polvilha-se com salsa. Termina-se com pedaços de broa de milho tostada (como não consegui encontrar, recorri a duas boas fatias pão de Mafra).

PS: foi confeccionado a quatro mãos...




04/10/22

Júlia Florista + Feijoada

A pedido da sócia da Pensão Estrelinha: «Que nada a mais animava do que uma janta de substância, daquelas como só se saboreiam lá para as bandas do Alto e profundo Minho», armei-me em Dom Quixote e entrei pelo Supermercado (https://www.pingodoce.pt/) adentro, pronto a tomar por reféns todos os ingredientes que coubessem na panela!
Note-se que eu nunca houvera confeccionado uma feijoada!
Chouriço de carne de Ponte do Lima, mais uma Moira de Lamego. Quanto aos restantes ingredientes, alguns já existiam cá por casa e só me faltou a orelha de porco (que adoro!) e a unha de porco (que dispenso).
O feijão encarnado foi de lata: a grande foi da Compal
(https://www.compal.pt/) e é mauzinho!... e o da lata pequena do Pingo Doce (muito melhor, mais barato e muito mais bem cozido!)
Quanto ao preparado, quanto mais simples, melhor!
Eu fiz assim:
Cozi umas quantas folhas de couve (vulgo repolho) bem cortadinhas, duas cenouras inteiras, um bom naco de bacon, três tiras de entremeada, metade de um chouriço de carne de Ponte do Lima, mais metade de uma moira de Lamego e demais derivados do porco, tendo-lhe ajuntado à revelia 2 cravinhos, para lhes apurar o sabor. Deixei cozer tudo bem, mas falharam-me as folhas de couve, às quais é necessário dar mais tempo para ficarem tenras.
No entrementes, num fundo de azeite no tacho,  estrurgi 1 cebola grande, 3 dentes de alho, polpa de tomate e um copo de vinho branco. Estando as carnes e os enchidos cozidos, juntei-os neste caldo. Seguiu-se o feijão, limpo da água da lata (optei por juntar água da cozedura da couve e dos enchidos, por muito mais apaladada).
Vieram em seguida as folhas de couve, já devidamente cozidas e amaciadas, e, por fim, foi a vez das cenouras, já cortadas em rodelas, e de remexer com cuidado o preparado.
PS: para apimentar, em vez de pimenta-preta, optei por umas malaguetas secas ofertadas pela minha filha mais velha.

Isto de cozinhar é fácil, basta querer, gostar e vontade de agradar.

 




13/05/22

Bacalhau com broa (2.ª temporada)

O bacalhau, do qual se diz existirem pelo menos 365 receitas, uma vez mais à mesa da Pensão Estrelinha.
Do jantar da noite anterior sobraram uma posta e meia (pequenas, que os tempos não estão fáceis) que hoje deram lugar a mais uma versão do famoso bacalhau com broa.
As postas foram devidamente lascadas e limpas de peles e espinhas.
A broa foi previamente cortada em fatias grossas levadas à torradeira.
Numa assadeira deitei um bom fio de azeite e fiz uma cama de broa esfarelada à mão.
Sobre esta acamei: as lascas de bacalhau, bimi (previamente cozido e cortado em pedaços pequenos), um ovo cozido cortado às rodelas, grão-de-bico (meia lata das pequenas da Compal) e meia cebola mais um dente alho bem picadinhos e previamente estrugidos em azeite. Sal e pimenta-preta moída na altura q/b.
Cobri o preparado com nova camada de broa esfarelada que rematei com salsa picada e reguei com outro bom fio de azeite.
Foi ao forno, na função grill durante uns 7 minutos a 150° C.
Ficou de comer e chorar por mais...


 

16/03/22

Caldo Verde

Faz bastante tempo que não venho aqui, mas não quer isto dizer que tenha deixado de frequentar a cozinha e, muito menos, o fogão. 

Aqui há atrasado, a sócia da Pensão Estrelinha deu-lhe para adoecer, mas como não era coisa de constipação nem de gripe, pensei que nada melhor lhe faria do que uma sopinha.

Acontece que eu sou/era daqueles «sopa na sopa». E que tal um Caldo Verde?
Mas como é que se prepara? Depois de googlar, como agora se diz, quase só encontrei disparates e atentados a uma das minhas raras e sopas preferidas (sopa de cozido, sopa de peixe, caldo de marisco e canja de galinha, com Arroz e ovinhos).

Afinal, decidi não seguir receita nenhuma e valer-me dos meus parcos conhecimentos de tachos e sertãs.
Comprado o caldo verde (250 g) e mais 1 kg de batata roxa foi assim:

A batata descascada e cortada em pedaços a cozer até quase se desfazer (a quantidade de água foi a olhómetro). Depois recorri à varinha mágica para reduzir a batata a puré. Juntei sal.
Lavei e separei muito bem o caldo verde num passador e fui juntando aos poucos à batata já desfeita. Adicionei um pouco de água para que o preparado não ficasse estilo betume.

Deixei cozinhar mais 10 a 15 minutos. Et voilá!
Faltou apenas juntar um bom fio de azeite ao final e rematar cada malguinha com umas boas rodelas de chouriço de Ponte do Lima.

Da primeira vez, e como já as horas iam adiantadas, fui a correr comprar o caldo verde ao el corte inglés, era bom. Da segunda segunda vez, recorri ao do LIDL, muito mais barato e bastante bom.
Quanto às restantes receitas de caldo verde que pululam pela Internet e pelo Google com recurso a alho, cebola e até alho-francês... que se quilhem, pois o Caldo Verde quer-se puro e duro, sem fantasias.


04/10/21

Massada de Polvo

Isto de cozinhar é como tudo na vida: tem dias...Há dias em que apetece e outros em que se come qualquer coisa, desde que não seja comida de plástico!

Hoje apeteceu-me inventar aqui na Pensão Estrelinha, e parece que não me saí mal.

Uma ida ao Pingo Doce e, após uma procura por baixo de muitas embalagens de pota congelada, lá encontrei uma de polvo mesmo à medida!

Regressado a casa, foi pôr a imaginação e a vontade de fazer diferente a trabalhar.
Depois de descongelado o polvo, houve que prepará-lo devidamente para a panela de pressão (é um segredo que aprendi com um cozinheiro japonês e que resulta na perfeição, mas, como é segredo... fica comigo!)

O polvito tinha 1 kg e, depois de o assustar, dei-lhe 15 minutos de cozedura na panela de pressão. Para a próxima, chegam 10 minutos, de modo a ficar com mais textura.

Enquanto o polvo cozia, tratei do molho: 

1 cebola média, bem picadinha

2 dentes de alho, picadinhos

6 filetes de anchova bem esmagados e desfeitos

1 embalagem de polpa de tomate

1 copito de vinho branco de boa qualidade

1 bom fio de azeite

2 bird eyes desfeitas

A meio do preparado, juntei uns camarões que tinha no congelador e deixei-os ganhar sabor.

No entrementes, o polvo cozeu e aproveitei 2 conchas da água da cozedura para juntar ao molho.

O resto da água serviu para cozer a massa, devidamente temperada com sal. Esta marca de pasta italiana é, de longe, a melhor que encontrei até hoje aqui na nossa terra.

Enquanto a massa cozia, cortei o polvo, juntei-o ao molho e acrescentei-lhe o devido toque de sal.
11 minutos depois, foi só juntar uns coentros grosseiramente picados e combinar tudo na sertã.

O acompanhamento fez-se à conta de um Colete Velho, branco de 2020.
Ficam as imagens para aguçar os paladares.



 








21/04/21

Pudim de leite condensado

Doces não são, de todo, a minha praia.
Sobretudo porque obrigam a seguir aquela máxima segundo a qual há que respeitar religiosamente a receita original! Ou seja, é-me difícil aceitar tal compromisso.
Apesar disto, de quando em vez, resolvo aventurar-me e tentar a sorte ou... o azar!


Este pudim é mesmo muito simples:
Há que fazer caramelo e com este forrar uma forma para pudim.

150 g de açúcar, um pouco (mesmo pouco) de água e MUITA paciência para estar sempre a mexer até que o preparado comece a ficar dourado e a borbulhar no tacho.
Eu nunca tinha feito caramelo, apesar de já ter passado algumas vezes na vida por «caramelo»...


Forrada a forma com o caramelo, passamos à fase seguinte:


Uma lata de leite condensado, misturada com 5 (cinco) ovos do grandes e 250 ml de leite de coco (na receita original é leite meio gordo... lá estou eu a não respeitar a receita original!!!). Depois de todos os ingredientes devidamente envolvidos e misturados, vertem-se para a forma onde o caramelo já está à espera.

Depois é só levar ao forno em banho Maria a 150º C durante 1 hora e 15 minutos.
A seguir vem a parte mais difícil... retirar do forno e esperar que arrefeça até se poder provar.


 

29/12/20

Fricassé... Quem se lembra?


Faz tempo que não venho por aqui espiolhar o meu blog, mas tal não significa que tenha abandonado o atelier de tachos, panelas, sertãs, colheres de pau e demais utensílios, como facas, sempre bem afiadas, por exemplo.


Hoje foi a vez de preparar um fricassé.
 

Era prato tão típico dos idos de 1970-80, com aquele toque de «Je ne sais pas quoi, mais j'adore!»... que desapareceu da table portugaise... quiçá em prol de refeições congeladas ou prontas a consumir por aqueles e aquelas infelizes que nunca apuraram as papilas gustativas.

Só posso dizer que a pitorra cá da Pensão Estrelinha adorou e comentou: «É muito saboroso e tem um gosto completamente diferente dos outros preparados cá da casa!»

Estes 61 que me pesam às costas já não perdoam e quem melhor para avivar memórias do que o site da Clara de Sousa (https://claradesousa.pt/) que, por seu turno, foi buscar ensinamentos ao inesquecível Mestre Silva e à sua indispensável Teleculinária?...

Fotografias não há (ainda restou um pouquinho no tacho, mas não faz jus ao preparado). Porém, o resultado foi melhor do que a encomenda.

Um truque da minha autoria: usei frango do campo (40 min de confecção, no mínimo), a meio da cozedura retirei um bocado de caldo e deixei arrefecer. Depois foi só juntar às gemas e ao sumo de limão.
Foi tudo para a mesa ainda a fervilhar. 

05/07/20

Arroz de Limão com Polvo e Lingueirão

Já há muito tempo que não postava nada de novo aqui na Casa de Pasto, empresa subcontratada da famosa Pensão Estrelinha.
Verdade se diga, também não se trata de uma novidade e, tão-só, de uma receita confeccionada com outro ingrediente, desta vez o polvo, casado na perfeição com lingueirão.

Para resumir, uma dose para 6 pessoas:
Muito, mesmo muito azeite (6 colheres de sopa), no fundo do tacho. Aquecer bem o azeite e deitar 2 dentes de alho bem picadinhos. Deixar os marafados ganharem cor. Juntar uma cebola, igualmente picadinha fina. Estrugir a dita cuja cebola até ficar transparente. Juntar copo e meio de arroz (carolino de preferência – a Noélia diz que não lava o arroz, mas cá na Pensão Estrelinha estou proibido de cometer tal heresia) e envolver bem no azeite. Hidratar o arroz com um bom caldo de peixe ou, à falta deste, com água e um caldo daqueles usados por quem não sabe ou não quer perder tempo a fazê-los... Espremer o sumo de um bom limão sumarento para cima do preparado, mais dois pedaços de casca do dito limão. Acrescentar um dente de cardamomo ou uma boa colher de sobremesa de cardamo em pó. Não esquecer, como é evidente, sal e pimenta-preta, moída na altura.
No entrementes, cozer o polvo na panela de pressão (30 a 40 minutos desde que começa a apitar) e saltear o lingueirão numa sertã com um fundo de azeite e alho. 

O arroz está quase no ponto, só resta cortar o polvo e o lingueirão (previamente retirado das conchas) e despachá-los para o tacho.
Remate final: um bom pé de coentros picados grosseiramente, remexer e está pronto a servir.

11/05/19

Lombinho de porco

Isto mais parece cozinha para totós, pois conseguir um bom lombinho de porco é das coisas mais simples deste mundo.

Vamos aos ingredientes:


1 lombinho de porco
2 dentes de alho, laminados
1 bom copo de vinho branco
sal
pimenta-preta moída na altura
colorau
bom fio de azeite a envolver o lombinho
Banha 
Alecrim

Envolve-se o lombinho nos temperos, deixa-se repousar pelo menos umas duas horas, após as quais se leva ao forno, a 200° C por meia-hora a 45 minutos.
Neste caso usei uma banha que comprei no Aldi e cujo rótulo dizia ser «Clássica», mas que de clássica pouco tem, pois contém cebola frita e é dura como um raio! Apesar de saborosa e muito aromática.
O acompanhamento fica ao critério de cada um. Arroz branco, batatinhas assadas, castanhas assadas, esparguete, couve-flor etc.

Ficou assim a marinar até ir para o forno.





30/04/19

Favas

As minhas favas não têm nada de especial,... são apenas as melhores do Mundo e arredores!
Modéstia à parte, estou farto de experimentar favas guisadas em vários locais, e nenhumas chegam aos calcanhares das minhas.
E as minhas são tão fáceis de fazer!
Imprescindível é o tacho de ferro fundido Le Creuset, que anda cá pela Pensão Estrelinha desde o tempo das vacas gordas, para a confecção das mesmas.
Eu gosto mesmo é de favas, não desfavorecendo nos demais acompanhamentos (entrecosto, chouriço de carne, moura e chouriço preto).
Bom fio de azeite alentejano no fundo do tacho e toca de fazer o entrecosto suar as estopinhas até quase tostar em lume esperto. 
Juntei-lhe depois uma cebola bem picada, três dentes de alho também bem picados e mais um copo de vinho branco. Esperei que ficassem no ponto e juntei então os chouriços (todos produtos excelentes de marca branca Pingo Doce), mais dois copos de água. 
Chegou pois a vez de as favas irem para o tacho, e estas não eram congeladas, mas frescas, compradas no talho do Vasco e descascadas por mim.
Tratei então de temperar com sal e pimenta-preta moída na altura.
Não tenho por hábito ir saboreando os temperos, mas as favas parece que chupam o sal e nunca estão no ponto certo, por isso, de quando em vez, tenho mesmo de testar o sabor.
Quando as favas começaram a ficar tenrinhas, abrandei o lume e juntei-lhes uma boa pitada de coentros grosseiramente picados, mais umas quantas folhas de hortelã.
Tempo contado passado à beira do tacho: cerca de 1 hora.

Lista de ingredientes para duas pessoas que gostem mesmo de favas (mais uma refeição para o dia seguinte):

2 kg de favas
1/2 chouriço de carne (o de Ponte do Lima é o melhor!)
1/2 moura
1/2 chouriço preto da Beira Alta
Coentros
Folhas de Hortelã
Sal e pimenta-preta q.b.
Azeite
1 copo de vinho branco

Fizeram-se as favinhas acompanhar por um Arrábida Azul tinto reserva de 2016, magnífico!

E terminou o jantar com um cafézinho expresso Buondi Extreme, que à Pensão Estrelinha ainda não chegou a moda das maquinetas de cápsulas!

E aqui ficam as fotografias do preparado e do finalizado:




 



29/04/19

Mercado dos Vinhos: Cascais

Dia solarengo que convidava a um passeio.
Hoje não estive ao fogão e fui com a sócia da Pensão Estrelinha mais o Doutor até ao Mercado dos Vinhos, em Cascais.
Muitas novidades e poucos rótulos conhecidos.
Diga-se, de passagem, que não tenho as papilas gustativas apuradas/ensinadas para apreciar devidamente qualquer vinho que seja: gosto, gosto; não gosto, não gosto.
E os meus gostos vão, sobretudo, para os vinhos do Alentejo.

Azar o meu: comecei por provar um branco cujo aroma me agradou, mas com final de boca áspero e demasiada acidez (isto é só para botar faladura, pois a verdade é que o raio da mistela cheirava bem, mas era azeda como rabo de gato!).
O Doutor, com experiência comprovada nestas andanças de provas, mas também adepto ferrenho dos Douros, ofertou-nos um Quinta do Valdalágea... Excelente, por aquilo que provei.
Não contente, com a demonstração, tornou a ir lá dentro e trouxe-nos um Pedro Molinas.
As duas botelhas já cá moram na adega da Pensão Estrelinha à espera de manjares dignos de as acompanharem.
No regresso a casa, pela Marginal como mandam as regras, parámos na Parede e lanchámos no Eduardo das Conquilhas... conquilhas já não havia, mas marcharam umas belíssimas ameijoas, mais uns camarões e uma sapateira.


 



28/04/19

Frango com limão e natas

O título da receita deveria ser antes: «Frango trabalhoso», pois deu demasiado trabalho a confeccionar e tempo ao lume para o meu gosto... mas valeu a pena!
A receita não é minha, e sim de um Blogger que sigo, sempre para aprender muita coisa da arte dos tachos e das panelas (https://outrascomidas.blogspot.com/).
Sábado à tarde, visita ao talho do Vasco para comprar um frango do campo, meio pão de Mafra, cozido a lenha à moda antiga e um queijinho de Nisa.
A ideia era fazer o frango corado, já devidamente cortado em pedaços bastante pequenos, mas, depois de consultar várias receitas, achei-as todas muito descoradas.
Encontrei então aquela receita que me pareceu a melhor solução. 
Surpresa inicial: o frango começa por ser cozinhado sem com mais nada!!! 
No original, recomenda-se um wok (que já tive, mas já não tenho) ou uma frigideira grande. Ora, como o frango (1,5 kg) não cabia na frigideira maior que temos cá na Pensão Estrelinha, achei por mim que ficaria bem acondicionado no meu tacho de ferro (https://www.lecreuset.pt/). E ficou, e largou gordura e cozinhou-se nos seus próprios untos durante uma boa meia hora, sempre a virar e a revirar para não pegar ao fundo do tacho que dá muito trabalho a lavar. 
Quando começou a ganhar aquele tom tostado, apaguei o lume e fui a correr ao Pingo Doce (https://www.pingodoce.pt/) comprar os ingredientes que me faltavam: coentros, cogumelos Portobello e natas (sem glúten, por imperativo de uma das residentes da Pensão Estrelinha). De caminho, uma garrafa com um veado (https://www.vivino.com/canto-x-monte-da-contenda-tinto/w/3809313?year=2014) riu-se para mim e entrou para o cesto das compras a fim acompanhar o frango.
Regressado a casa, espremi o sumo a 3 limões e piquei bem picados outros tantos dentes de alho que foram dar banho ao frango, mais respectivos temperos de sal e pimenta. Lume brando e toca de deixar o frango saborear a limonada durante cerca de 15 minutos.
Foi a vez de cortar a limonada com dois pacotes de natas e os cogumelos. De novo lume brando, deixar levantar fervura e acrescentar uns coentros grosseiramente picados. Nos entrementes, liguei o forno a 220° C. Depois mudei o frango do tacho para uma travessa e levei ao forno durante mais cerca de 20 minutos, até ganhar um bronzeado que me agradou.
Acompanhámos com esparguete e espinafres salteados em azeite e alho.
Resultado final: muito bom!

Peço desculpa pela fotografia, que não faz jus ao frango.



30/03/19

Massada de Polvo com Camarão

Sexta-feira, pelas sete da tarde, hora de ir ao supermercado.
À sócia da Pensão Estrelinha apetecia-lhe uma massada de peixe... mas, peixe a sério, é coisa que só se compra na Banca da Bela, lá para as bandas de Alvalade... Inda por cima a tais desoras! 

Toca de ir rapidinho ao Pingo Doce do Arco do Cego e sacar dos congelados o mais parecido com um polvo que por lá se encontrava.
Chegado a casa: polvo a descongelar, mais tirar o bico de papagaio, caso contrário fica duro e sabe mal. Panela de pressão com ele, mais os feitiços que me ensinaram para o deixar macio... que não conto, pois que são meus. Só digo que há que afugentar o polvo!

Cebola bem picadinha, mais alho picado tal qual a cebola, umas rodelas de chouriço, dois tomates maduros, devidamente pelados e picados, aos quais acrescentei um pacote de polpa de tomate, mais umas quantas tiras de pimento vermelho e, por fim, com autorização da Joana, duas malaguetas bird eye. Foi tudo para o meu tacho preferido a ganhar sabores e aromas.
Polvo na panela, ingredientes a suarem (as tiras de pimento foram as últimas a entrar na sauna).
Foi trabalho de sincronia, pois precisava da água de cozer o polvo para com esta cozer as massas de cotovelo.
Refogada a cebola e demais acompanhantes, juntei-lhes uns camarões. Piquei coentros e casei-os com umas quantas folhas de hortelã e foram para o tacho.
Chegada a hora, copo de vinho branco e caldo de peixe para a cebola e seus amigos; mais água do polvo e boa pitada de sal. Quando já tudo fervilhava, toca de deitar as massas.
Enquanto isto, cortei o polvo em pedacinhos, que acabaram por se juntar ao festim faltavam 4 minutos para o final da cerimónia.

Lista de ingredientes, para 4:

1 kg de polvo

8 camarões grandes
2 cebolas
2 dentes de alho
1 copo de vinho branco
Azeite para cobrir o fundo do tacho
2 Tomates
1 pacote de polpa de tomate
Folhas de Hortelã
2 Malaguetas pequenas
1/2 Pimento vermelho, em tiras grossas
1 Raminho de coentros
Folhas de hortelã
4 a 5 rodelas de bom chouriço, picadas
Sal q.b.
Caldo de peixe

Imaginação e diversão